"Nós também já vimos a receita em 2009 em que se promete e dá muita coisa e eu, como trabalhadora do Estado, lembro-me que me aumentaram 2,9% e logo a seguir cortaram-me 10. A diferença é o antes e o depois das eleições", disse Maria Luís Albuquerque durante o debate parlamentar sobre o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas para 2015 a 2019, apresentados pelo Governo na semana passada.

Nas suas intervenções, a ministra criticou várias vezes o partido liderado por António Costa, que apresentou o seu cenário macroeconómico para a próxima legislatura na terça-feira: "Com a mesma receita e com os mesmos protagonistas, não sei como é possível esperar um resultado diferente", disse.

Maria Luís Albuquerque disse ainda que quer que seja este Governo a devolver os rendimentos que foram cortados durante o período do resgate financeiro, defendendo, no entanto, que essa devolução tem de ser feita de forma gradual.

"Queremos ser nós a devolver [os cortes salariais e a sobretaxa de IRS] com o ritmo responsável que for possível. Se for possível fazer uma reversão mais rápida dos cortes salariais e da sobretaxa de IRS, com certeza que o faremos", disse Maria Luís Albuquerque.

"Não temos nenhum gosto em dizer aos portugueses que precisamos de quatro anos para repor esses níveis de rendimento. O que achamos é que os portugueses merecem ouvir a verdade, merecem uma atitude responsável e, sobretudo, não merecem que se devolva mais depressa para depois ter de tirar em dobro", rematou a ministra de Estado e das Finanças.

A deputada do BE Mariana Mortágua afirmou que, tal como a UTAO destacou, são precisos 10 anos para devolver os cortes salariais que foram feitos, sublinhando que "10 anos depois, o salário vale menos", que a sobretaxa de IRS "é só um terço do brutal aumento de impostos" e que "o resto continuará em 2019".

Na resposta, Maria Luís Albuquerque reconheceu que isso "é verdade" e que "são precisos 10 anos" para devolver os cortes, mas defendeu que o país não pode deitar tudo a perder: "Se tiver de demorar 10 anos, o que lamentamos, [demorará], mas efetivamente o que temos de garantir é que o poder de compra será recuperado. Se hoje deitarmos tudo a perder por queremos recuperar tudo de uma vez, não será daqui a quatro nem daqui a cinco anos, perde-se tudo", concluiu.

Já em resposta a uma intervenção da deputada do CDS Vera Rodrigues que disse que o cenário macroeconómico do PS para o período da próxima legislatura, apresentado na terça-feira, traz "mais dívida e mais défice", Maria Luís Albuquerque disse apenas que fica "com a satisfação de que o PS subscreve que a dívida é sustentável".

ND/SP // ATR

Lusa/fim

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