"Recuperar a réplica da Torre de Belém não é só uma questão estética, somente a parte visual é um manifesto à cidade do Mindelo, por isso manter a sua preservação é um cartão postal", afirmou o governante, após a assinatura de um protocolo entre a Direção-Geral das Pescas e Aquacultura, o Fundo Autónomo das Pescas e o Instituto Património Cultural para concretizar a empreitada, avaliada em 8,5 milhões de escudos (77 mil euros).

Localizado entre o Mercado de Peixe e a Praia dos Botes, em plena Avenida Marginal, o monumento centenário foi construído em 1920 pelos portugueses, para ser uma réplica da fortificação original, edificada entre 1514 e 1519, em Lisboa. Desde então já serviu para quase tudo, albergando atualmente o Museu do Mar, mas quer aumentar a simbologia, explorando mais a história da cidade do Mindelo.

O edifício recebeu a última intervenção em 2010 e estas novas obras deverão estar concluídas até outubro, conforme o acordo assinado hoje no Mindelo, sendo financiadas pelo Fundo Autónomo das Pescas, projeto Mergulhar e pelo Orçamento do Estado de Cabo Verde.

Abraão Vicente admitiu que tem sido "doloroso" ver o estado de degradação continuo que o monumento vem sofrendo ao longo dos anos, daí a importância desta intervenção, tendo em conta o ponto de vista patrimonial.

Após a recuperação, e além de manter o Museu do Mar, o edifício vai receber várias valências e parcerias entre diferentes instituições ligadas ao mar, na produção e difusão de conhecimento e cultura, juntando os dois ministérios, do Mar e da Cultura, que tutela, explicou Abraão Vicente: "Ter aqui um ponto onde as nossas atividades investigativas possam, em parceria com museografia e museologia, ter uma maior exposição pública e devolver ao público o conhecimento acumulado nas nossas instituições".

Perspetivou para o icónico edifício um museu vivo, envolvendo precisamente quem dá vida ao mercado de peixe, como as peixeiras e os pescadores, para fazerem parte da dinâmica da recuperação do edifício, garantindo que os trabalhos arrancam nos próximos dias, com previsão de conclusão até 18 de outubro, Dia Nacional da Cultura Cabo-verdiana.

Aquele edifício funcionou na década de 1980 como sede da empresa pública Scapa, criada precisamente para apoiar a pesca artesanal, teve um período praticamente sem uso até ser recuperado em 1997, no âmbito da cooperação entre Portugal e Cabo Verde.

Em 2010, no âmbito das comemorações dos 35 anos da independência de Cabo Verde, é inaugurada no edifício uma exposição que retrata a questão dos descobrimentos, e a partir de 2014 passa a albergar a exposição permanente do Museu do Mar.

SYN // PJA

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