Numa análise ao Índice de Preços no Consumidor (IPC) de maio, o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) assinalou que o INE não respeitou o "princípio de ajustamento de qualidade" no cálculo da inflação, que resultou da substituição do ensino presencial pelo ensino 'online' ou à distância, devido à suspensão das aulas por imposição do estado de emergência face à covid-19.

O princípio, acrescentou, impõe que não se considere queda de preço uma variação de custo imposta pela substituição de preços de qualidade idêntica, provocada por "situação conjuntural anormal".

O CDD considerou que outra situação que poderá ter contribuído para "o erro metodológico" do INE no cálculo da inflação de maio é a forma como os inquiridores da instituição dirigiram a recolha de dados e informação para o IPC.

"Qual foi o tratamento que foi dado às respostas dos indivíduos que afirmaram não ter pago a mensalidade escolar de abril por não acreditarem na eficiência do ensino à distância?", questionou o CDD.

A organização perguntou se o INE terá considerado a falta de pagamento da mensalidade como uma queda de preço.

"Em nome da transparência da gestão pública, o INE deve vir a público esclarecer o processo de recolha de dados e cálculo de IPC", lê-se na análise.

No dia 12 , o CDD já tinha considerado "enganosa" a deflação de 0,6% registada em maio pelo IPC do INE.

Na análise, a ONG referiu que o IPC de maio não reflete a "dinâmica do custo de vida" que Moçambique tem vindo a registar nos últimos meses.

"Na conjuntura atual de crise económica provocada pela covid-19, esta deflação não resulta de um excesso de oferta de produtos no mercado, mas sim da escassez da procura em consequência da deterioração do poder de compra das famílias, principalmente as de baixo rendimento", disse a organização.

O CDD observou que os produtos consumidos por famílias com rendimentos mais altos sofreram uma baixa nos preços, mas os bens adquiridos pelas famílias com rendimentos mais baixos conheceram um incremento acentuado de preços.

Segundo o INE, as creches e infantários tiveram uma deflação de -30,1%, o ensino primário privado caiu -24,6%, o ensino secundário do primeiro ciclo privado -14,9%, ensino superior privado -14,3% e a gasolina -2,0%.

Em contraponto a essa tendência deflacionária, o preço do açúcar castanho subiu 11,5%, cebola 6,5%, óleo alimentar 3,4%, arroz em grão 1,7% e peixe fresco 0,8%.

A Lusa ainda não conseguiu uma reação do INE às críticas do CDD.

Moçambique registou 883 casos de infeção pelo novo coronavírus e seis mortos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 505.500 mortos e infetou mais de 10,32 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

PMA (LFO) // LFS

Lusa/Fim

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