De acordo com dados do relatório mensal do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre o mercado de divisas, as vendas diretas daquela instituição aos bancos comerciais totalizaram em outubro 1.550,86 milhões de dólares (1,465 mil milhões de euros), uma ligeira de diminuição face a setembro.

Trata-se ainda de um aumento de 11,7% face a outubro de 2014.

Contudo, as divisas que os bancos comerciais compram diretamente aos clientes afundaram no mesmo período mais de 800%, para apenas 187,65 milhões de dólares (177,3 milhões de euros) em outubro último, o que explica também a falta de moeda estrangeira aos balcões, com vários bancos a restringirem o acesso a divisas, que chegam a apenas 1.000 dólares (945 euros) semanais

Angola vive uma crise financeira e económica devido à quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional, o que por sua vez fez diminuir a entrada de divisas no país, necessárias para garantir nomeadamente as importações de alimentos, máquinas e matéria-prima.

No total, os bancos comerciais tiveram acesso a 56 milhões de dólares (52,9 milhões de euros) em divisas por dia em outubro, quando há um ano, antes da crise do petróleo, esse valor foi de 100 milhões de dólares (94,5 milhões de euros) diários, representando assim uma quebra homóloga de 43,9%.

No mês de setembro, os bancos compraram cerca de 62 milhões de dólares (58,6 milhões de euros) por dia em divisas.

A situação económica e financeira em Angola está a obrigar o BNA a fazer "vendas de divisas direcionadas" aos bancos, "para satisfazer as operações definidas como prioritárias, pelo Executivo, num contexto de diminuição das disponibilidades cambiais e elevado risco de desequilíbrio do referido mercado, face à redução dos 'stocks' alimentares e de matérias-primas bem como riscos de paralisação dos serviços essenciais ao funcionamento da economia".

As dificuldades no acesso a moeda estrangeira nos bancos agravaram-se nas últimas semanas, com o mercado paralelo, de rua, a apresentar taxas de câmbio a rondar já os 270 kwanzas (1,9 euros) por cada dólar.

A falta de divisas, em função da procura, continua a dificultar, por exemplo, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.

No mês de outubro, o BNA definiu vendas direcionadas e prioritárias no valor de 1.163,91 milhões de dólares (1.099 milhões de euros). Mais de 270 milhões de dólares (255 milhões de euros) destinaram-se às operadoras de remessas, salários para expatriados, viagens, compras de medicamentos, casa de câmbios e pagamentos de companhias aéreas.

A maior fatia foi reservada para o pagamento ao exterior de bens alimentares, com 508,66 milhões de dólares (480 milhões de euros).

PVJ// APN

Lusa/Fim

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