Segundo o vice-presidente da Sinopec Angola, petrolífera chinesa focada na distribuição e refinação, Paulo Pizarro, há um processo de transição energética em curso "e, por outro lado, há muitas oportunidades e também muitos desafios em África".

"Penso que a transição energética e os investimentos na transição energética é um processo longo e África não pode ficar atrasada nisto e Angola muito menos, temos que começar já a investir, temos um potencial altíssimo", disse hoje o responsável.

Angola "já fez um acordo com Alemanha em relação ao hidrogénio e achamos que há um potencial muito grande para desenvolvermos o hidrogénio, a energia do futuro, a partir da energia solar e hídrica".

"E temos um potencial muito grande em Angola e em África e não podemos passar pelo argumento da utilização de combustíveis fósseis para fazermos a transição mais tarde, temos uma oportunidade de investir seriamente nesta transição energética agora, disse aos jornalistas.

Em declarações à margem da cerimónia de abertura da 8.ª edição do Congresso e Exposição de Petróleo Africano (CAPE, na sigla inglesa), que se iniciou hoje, em Luanda, o empresário do setor apontou "barreiras políticas", como "alguns dos constrangimentos" que devem ser ultrapassados.

"Acho que é uma questão de se fazer um estudo de se ultrapassar as várias barreiras, que muitas vezes são políticas, para se implementar a transição energética", destacou.

Vontade política porque, argumentou Paulo Pizarro, "há um conceito de que a indústria petrolífera produz receitas muitas altas, embora seja de uma grande complexidade é fácil fazer acordos e desenvolver a indústria extrativa em África".

"Que no fundo é a principal fonte de receitas para muitos países africanos e é necessário ultrapassarmos isso", notou.

"Transição Energética, Desafios e Oportunidades na Indústria Africana de Petróleo e Gás" é o lema desta CAPE VIII, que congrega em Luanda, os 15 membros da Organização Africana dos Países Produtores de Petróleo (APPO, na sigla inglesa) e mais cinco países observadores.

O congresso, promovido pela APPO, com apoio do Governo Angola e operadores do setor, decorre até quinta-feira na capital angolana.

O tópico das energias renováveis "também é uma oportunidade de promover a colaboração entre os vários países africanos, entre as empresas e reguladores dos vários países, para se ultrapassar os tais obstáculos e criar-se alguma indústria sustentável".

"Não só uma indústria petrolífera de produção, mas toda a rede de suporte, todo o conteúdo local, para promover o crescimento económico e social e beneficiar toda África, que ainda consome muito pouco", apontou.

A Sinopec "também investe nas energias renováveis, neste momento estamos a construir as duas maiores centrais de produção de hidrogénio verde no mundo, uma na China e outra na Mongólia, porque achamos que esta energia do hidrogénio é do futuro".

A nível do "upstream"(extração  produção de combustível), a petrolífera chinesa, que já investiu mais de 20 mil milhões de dólares (19,2 mil milhões de euros) em Angola,  tem presença no país africano através de participações não operadas em vários blocos.

"Estamos em vários blocos, mas não operamos, temos participações não operadas, já investimos mais de 20 mil milhões de dólares em Angola e estamos a apostar neste mercado porque acreditamos em Angola", rematou Paulo Pizarro.

O certame foi aberto esta segunda-feira pelo Presidente angolano, João Lourenço.

DYAS // PJA

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