"Muitos imaginaram uma hospitalidade diferente daquela que encontraram. (...) As diferenças culturais também se podem traduzir num choque cultural vivenciado quotidianamente na instituição e no país de acolhimento", lê-se no artigo publicado na Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM).

No artigo -- assinado por Juliana Chatti Iorio (Universidade de Lisboa) e Silvia Garcia Nogueira (Universidade Estadual da Paraíba, Brasil) -- lê-se que "ainda há muito a ser feito, como uma maior atenção às dificuldades de brasileiros e timorenses com o português de Portugal".

"Mais sensibilização dos professores para com os estudantes provenientes de sistemas educacionais distintos, maior divulgação dos serviços disponíveis pelas universidades aos estrangeiros e apoio efetivo e afetivo na chegada ao país de destino" são outras ideias defendidas pelos alunos inquiridos para os estudos que serviram de base ao artigo.

Os estudantes brasileiros apontaram "a falta de aceitação da língua portuguesa como é escrita e falada no Brasil" como "uma falha no acolhimento de Portugal".

Por seu lado, os timorenses, "por não dominarem bem o português, sentiram que as dificuldades na chegada, em circular pela cidade, e para escolher moradia foram, por esse motivo, reforçadas - ainda que a língua portuguesa, ao lado do tétum, também seja um idioma oficial do Timor-Leste".

A investigação concluiu que "a falta de informações sobre o funcionamento do sistema académico e problemas nas interações em sala de aula com outros alunos e com professores resultou, muitas vezes, em má compreensão dos conteúdos ministrados nos cursos".

"A ausência de divulgação dos serviços de apoio disponíveis para eles, também. Além disso, alguns estudantes bolseiros timorenses reclamaram da falta de orientação para os gastos com a bolsa e de ajuda com documentos (vistos, sistema académico, etc.) e os brasileiros referiram que até tiveram alguma assistência, inclusive com o processo de inscrição no curso, mas que só souberam da existência de alguns serviços prestados pela universidade e de associações que os poderiam ter ajudado, quando já estavam em Portugal", prossegue o artigo.

As autoras recomendam um "maior apoio na chegada e nos momentos iniciais desses alunos no país de destino. Conhecer as especificidades das culturas de origem desses estudantes e estar disponível para aprender sobre a melhor forma de recebê-los são estratégias que poderiam ser adotadas pelas universidades portuguesas, de modo que a dádiva da hospitalidade correspondesse a práticas do bem receber, e que anfitriões e hóspedes pudessem dar, um ao outro, o melhor de si".

SMM // JH

Lusa/Fim

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