"Eu não acredito que o Governo atinja as metas a que se propôs", afirmou Passos Coelho, no debate do "Estado da Nação", no parlamento, depois de já ter considerado "prematuro" discutir neste momento a questão da possível existência de sanções relativamente a 2016.

O líder da oposição apelou a que os membros do Governo se abstenham de lhe lançar críticas sobre qualquer espécie de antipatriotismo devido a estas afirmações, num discurso inflamado que levou os deputados das bancadas do PSD e do CDS a levantarem-se e a aplaudi-lo com veemência.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, avisou que Passos Coelho "bem se pode irritar o que quiser" porque "não tirará da visão de todos os portugueses" a "pura mesquinhez partidária" da antiga ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que, segundo Costa, quebrou no passado sábado o "consenso nacional" relativo às sanções.

"A Comissão [Europeia] conclui que mesmo tirando todas as medidas, como a do Banif, continuavam a não cumprir o défice dos 3%", realçou o primeiro-ministro.

E acrescentou: "Já percebi bem qual é a próxima campanha que vão fazer, é só para dizer que a conta do Banif não é deste Governo, é a conta que os senhores esconderam porque não tiveram coragem de assumir e de a resolver".

Na interpelação, Passos Coelho tinha aproveitado para responder a António Costa, que se tinha manifestado surpreendido pelo facto de o ex-primeiro-ministro não o ter questionado sobre a posição da Comissão Europeia que tinha acabado de ser divulgada.

"O senhor primeiro-ministro mostrou-se surpreendido por eu não me ter referido à questão das sanções, mas o senhor primeiro-ministro, no seu discurso, não se referiu a esta matéria", sublinhou.

E destacou: "Até 2105 não há nenhuma justificação para que haja aplicação de sanções a Portugal".

Passos Coelho vincou que, sem as intervenções extraordinárias no setor financeiro, o défice em 2015 teria sido de 2,8% e não de 4,4%, como se verificou.

Depois de Carlos César, líder da bancada socialista, ter hoje acusado os sociais-democratas de terem ensaiado "uma mistificação" sobre a real causa da aplicação de sanções a Portugal, acusando-os de terem atingido "o ponto zero do orgulho de ser português", Passos Coelho também jogou ao ataque.

"Podemos ter muitas divergências políticas, mas eu nunca lancei processos de intenção", sublinhou, considerando que o discurso de Carlos César representa o "grau zero do debate político".

DN/JF // ZO

Lusa/fim

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