Dado que o universo aumentou, devido ao recenseamento automático, resultado de uma alteração legal em 2018, e que a participação eleitoral é tradicionalmente baixa, os níveis de abstenção podem aumentar, mesmo que o número de votantes aumente, nomeadamente no continente e ilhas.

Carlos Jalali, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro, já tinha alertado, em declarações à Lusa, para este fator que pode fazer somar 5,1 pontos percentuais aos 56,5% à taxa de abstenção verificada em 2016.

Isto se, como sublinhou Jalali, os eleitores, tanto em Portugal como no estrangeiro, mantenham o mesmo comportamento eleitoral.  

Também em declarações à Lusa, Pedro Magalhães, sociólogo e investigador principal do Instituto de Ciências Sociais (ICS - Universidade de Lisboa), já tinha alertado para os efeitos do recenseamento automático dos eleitores no estrangeiro, uma "medida positiva", por dar "uma estimativa mais realista de quem vota entre o real universo" de eleitores, mas que "revela mais abstenção".

Cerca de 10 milhões de eleitores, mais 1,2 milhões do que em 2016, foram hoje chamados a escolher entre os sete candidatos a Presidente da República.

Nesta eleição há um aumento do número de eleitores, em grande medida devido ao recenseamento eleitoral automático dos emigrantes com cartão de cidadão válido, que decorre de uma mudança à lei, feita em 2018.

Em 2016, eram 228.822 os eleitores inscritos no estrangeiro e este ano esse número subiu para 1.550.063.

A taxa de abstenção nas eleições presidenciais de hoje deverá ficar entre os 50 por cento e os 60 por cento, de acordo com as previsões avançadas às 19:00 pelas televisões.

A sondagem da Universidade Católica para a RTP dá uma taxa de abstenção entre os 50% e os 55%, a projeção da TVI antecipa uma taxa de abstenção entre os 54,5% e os 58,5%, as previsões do ISCTE-ICS para a SIC apontam para um intervalo entre os 56% e os 60% e a projeção da CMTV antecipa números entre os 54% a 58%.

 

NS (MICA) // SF

Lusa/fim

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