"A ideia é ter uma vacina que garanta às pessoas um nível básico de memória imune a diversas estirpes de gripe, para que haja muito menos doença e morte quando ocorrer a próxima pandemia da gripe", adiantou o microbiologista Scott Hensley, da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos.

Nesta investigação, revista por pares e hoje publicada na revista Science, os cientistas recorreram à mesma tecnologia de ácido ribonucleico mensageiro (mRNA) usada nas vacinas da Pfizer e da Moderna contra o coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a doença covid-19.

Segundo os investigadores da instituição norte-americana, os testes já realizados em animais mostraram que a vacina "reduziu drasticamente os sinais de doença e protegeu-os da morte", mesmo quando expostos a estirpes de gripe diferentes das utilizadas na produção da vacina.

A investigação não prevê, porém, que esta vacina forneça uma imunidade "esterilizante" que previna completamente as infeções virais, mas sim que provoque uma resposta imune de memória que pode ser "rapidamente recordada e adaptada a novas estirpes virais pandémicas, reduzindo significativamente a doença grave e a morte".

"Será comparável às vacinas de mRNA de primeira geração contra o SARS-CoV-2, que foram direcionadas para a estirpe original de Wuhan do coronavírus", explicou Scott Hensley, ao recordar que contra as variantes posteriores, como a Ómicron, as vacinas originais não bloqueiam totalmente as infeções, mas continuam a fornecer proteção duradoura contra casos de doença mais grave e morte.

Nos ratos, a vacina experimental provocou altos níveis de anticorpos, que permaneceram elevados por pelo menos quatro meses, e reagiu fortemente a todos os 20 subtipos de gripe, indicaram os resultados do estudo do centro norte-americano de investigação biomédica.

Além disso, os investigadores observaram que a resposta dos anticorpos nos ratos manteve-se "forte e ampla", quer os animais tenham sido, ou não, expostos ao vírus da gripe antes de serem inoculados.

A equipa de Scott Hensley está agora a projetar os ensaios clínicos humanos e prevê que, caso sejam bem-sucedidos, a vacina possa vir a ser "útil para provocar uma memória imunitária de longo prazo contra todos os subtipos de gripe em pessoas de todas as faixas etárias, incluindo crianças".

Os vírus da gripe podem circular em aves, porcos e outros animais, e as pandemias podem começar quando uma destas estirpes salta para os seres humanos e adquire mutações que melhoram a sua adaptação aos novos hospedeiros.

PC // FPA

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