“É o interesse nacional que está em jogo. Não há como ficar em cima do muro. Ou se age para impedir a alienação de um setor estratégico ou se é conivente com esse objetivo. Não há refúgio, nem desculpas das leis de mercado ou quaisquer outras que sirvam para não agir utilizando todos os mecanismos existentes ou criando os necessários”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista, que discursava durante um almoço convívio de apresentação dos candidatos da CDU do distrito de Viana do Castelo, disse “não aceitar que “o país fique de mãos atadas ou condenado à chantagem da Altice”, que se “prepara para mandar para o desemprego cerca de 3.000 trabalhadores e pôr em causa direitos de pré-reformados e reformados”.

“O Governo deve utilizar todos os meios disponíveis para confrontar a Altice com as obrigações de serviço público que tem no país e que são incompatíveis com a política de destruição da empresa PT que está em curso”, referiu o dirigente comunista, que classificou o negócio como “escândalo” e “apenas a margem do pântano para onde a política de direita e de recuperação capitalista empurrou o país”.

“A situação que está colocada ao país, aos interesses estratégicos e aos milhares de trabalhadores e reformados da PT é o resultado da privatização daquela que já foi a maior empresa nacional da responsabilidade de sucessivos Governos do PS, PSD e CDS-PP que culminou em 2011″, disse.

Para Jerónimo de Sousa, “a concretizar-se, a anunciada compra pela Altice do grupo Media Capital, onde se inclui a TVI, e a intenção de criação de um banco dá expressão na progressiva concentração e domínio monopolista da economia portuguesa e de reforço de controlo dos grandes meios de comunicação social”.

“A compra do grupo Media Capital, com um canal de TV, de larga audiência, da Plural, uma importante produtora de conteúdos, assume particular gravidade. A PT/Altice, que já dispõe do controlo da rede de transporte digital terrestre, do SIRESP, que já domina a maior operadora de cabo, a Meo, assumiria toda a dominação da produção, emissão e distribuição numa concentração sem precedentes, no setor da televisão”, concluiu.

A Altice, grupo que comprou há dois anos a PT Portugal, anunciou na sexta-feira que chegou a acordo com a espanhola Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI, entre outros meios, numa operação que a empresa espanhola avalia em 440 milhões de euros.

A ERC tem de se pronunciar sobre a operação quando for contactada pela Autoridade da Concorrência (AdC), antes desta última dar o seu parecer sobre o negócio. O parecer do regulador dos media é vinculativo.

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