“Os objetivos estão a ser cumpridos, estamos a proporcionar aos jogadores um cenário de jogo rico e com imensos incidentes, que vão exercitar a forma de cooperação e de reação e a tomada de decisão para o caso de aconteceram no momento real, e não de jogo”, referiu Lino Santos, coordenador do CNCS, em declarações à Lusa no final do primeiro dos dois dias de exercícios.

Num balanço desta primeira sessão que decorreu nas instalações do CNCS em Lisboa, o responsável revelou que foram trocadas 400 mensagens entre as 22 entidades participantes e mais de 100 relatórios de situação, sendo testada uma situação que decorreria na quinta-feira e sexta-feira, antes do ato eleitoral. Na segunda sessão, na quinta-feira, serão jogados o sábado e o domingo eleitoral.

“A avaliação de ameaça não existe neste momento, mas temos de estar preparados para o caso de acontecer. Tipicamente, neste negócio, preparamo-nos para aquilo que desconhecemos. Quanto melhor estivermos nos nossos procedimentos e na nossa forma de articulação entre entidades, melhor”, precisou Lino Santos.

“Uma das coisas que se ganha com este exercício é conhecermos pessoalmente as pessoas responsáveis por cada um destes organismos. Só isso é um ganho. Isso permite-nos num cenário de pequena dimensão, de grande dimensão, saber interligar e pedir ajuda porque estas situações não se resolvem sozinhas”, esclareceu.

Entre as 22 entidades, estiveram representantes da administração pública que operam os serviços de suporte a atos eleitorais, operadores de comunicações eletrónicas, operadores de serviços energéticos, reguladores do setor das telecomunicações e do setor energético, a Agência Lusa como jogador de media, forças e serviços de segurança, a Procuradoria Geral da República.

“São entidades que foram identificadas por nós e pela Comissão Nacional de Eleições como relevantes neste contexto”, assinalou.

No decurso da primeira sessão de hoje, foram proporcionados aos jogadores um conjunto de incidentes, como a apresentação de sondagens manipuladas, campanhas de desinformação baseadas em perfis falsos em redes sociais, alteração da página principal de entidades, falhas de distribuição elétrica e comunicações no Alentejo e Trás os Montes. Para além da intrusão e comprometimento de servidores e dispositivos dos partidos políticos que estão a ser simulados, como explicou o coordenador do CNCS no balanço do primeiro dia de trabalhos.

Todas as mensagens vão ser arquivadas num registo e avaliadas no final do exercício. “E aquilo que poderia ter corrido melhor insere-se num trabalho que será feito até final de abril, quando for conhecido o relatório final do exercício”, anunciou ainda o responsável do CNCS.

Na sessão de quinta-feira, informou ainda Lino Santos, está prevista a visita do Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa será acompanhado pela ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e pela secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, entre outros responsáveis.

O primeiro ciclo nacional decorreu em junho de 2018.