“No momento em que tomo conhecimento do falecimento do antigo chefe de Estado Cubano, Comandante Fidel Castro, quero expressar as minhas sinceras condolências ao Presidente Raúl Castro Ruz e ao Povo Cubano”, disse Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem divulgada no ‘site’ da Presidência da República portuguesa.

“Evoco, ainda, o encontro havido há um mês, em que falámos das relações entre Portugal e Cuba, na perspetiva do seu aprofundamento económico, social e cultural, num mundo em mudança”, salienta.

"Foi um protagonista controverso mas marcante, quer em Cuba, quer na América Latina quer no que então se chamava 3.º mundo, ou não alinhados, sobretudo entre os anos 60 e os anos 90 do século passado e que chegou a ser uma personalidade mítica para os seus apoiantes", afirmou o chefe de Estado Português.

Apesar de Fidel Castro, admitiu Marcelo Rebelo de Sousa, não se situar na mesma "área ideológica", que ele, o Presidente reconheceu o papel do líder cubano na História: "Não se pode negar que ele teve um peso na América Latina, no chamado terceiro mundo, até no mundo em geral, pensemos na crise dos mísseis que fez suspender por um instante o mundo no início dos anos 60", salientou.

Do encontro com Fidel quando visitou Cuba, Marcelo Rebelo de Sousa partilhou que o líder cubano estava "fragilizado do pronto de vista físico mas intelectualmente muito atento, atento ao que se passava hoje, acompanhava a par e passo as notícias do dia e comentando o mundo tal como ele se encontrava, além de recordar o passado com uma vivacidade indiscutível".

Mesmo reconhecendo a debilidade física de Fidel Castro o Presidente da República confessou estar algo surpreendido com a morte do ex-chefe de Estado cubano.

"Eu não diria, apesar da fragilidade física que um mês depois já não pertencesse ao mundo dos vivos", referiu.

O secretário-geral do PCP manifestou igualmente uma mensagem de pesar e transmitiu "solidariedade" e condolências aos comunistas, povo de Cuba e familiares do falecido "camarada" Fidel Castro, acrescentando que a melhor homenagem "é prosseguir a luta" pela "liberdade", "paz" e "socialismo".

"Perante o falecimento do camarada Fidel Castro, o Comité Central do PCP [reunido entre hoje e domingo em Lisboa] expressa os seus sentimentos de profundo pesar e transmite ao Comité Central do Partido Comunista de Cuba e por seu intermédio a todos os comunistas, ao povo de Cuba, ao camarada Raul Castro e restante família de Fidel os sentidos pêsames e a solidariedade dos comunistas portugueses", disse Jerónimo de Sousa.

O histórico líder cubano, comandante-chefe da revolução de 1959, que depôs Fulgencio Batista e viria a instituir um regime comunista naquela ilha caribenha, morreu na noite de sexta-feira, com 90 anos, às 22:29 locais (03:29 de sábado em Lisboa).

"A melhor forma de honrar a memória do camarada Fidel Castro, é prosseguir a luta pelos ideais e o projeto a que se consagrou até ao fim da sua vida, é fortalecer a solidariedade com Cuba e a sua revolução socialista exigindo o incondicional respeito pela soberania da Ilha da Liberdade, o imediato fim do criminoso bloqueio norte-americano e a restituição ao povo cubano de Guantánamo", garantiu o líder comunista português.

O anúncio da morte de "El Comandante", Fidel Alejandro Castro Ruz, foi feito pelo seu irmão e sucessor desde 2008, Raul, na televisão estatal, terminando com o grito "Até à vitória, sempre!".

"Neste momento de tristeza para os comunistas, revolucionários e progressistas de todo o mundo, o PCP presta homenagem à sua excecional figura de patriota e de revolucionário comunista evocando o exemplo de uma vida inteiramente consagrada aos ideais da liberdade, da paz e do socialismo", afirmou o secretário-geral do PCP, evocando episódios da guerrilha e da Revolução Cubana, protagonizada por Castro.

Jerónimo de Sousa alertou ainda para a atualidade, "depois de importantes avanços de soberania e progresso social na América Latina e Caraíbas, inseparáveis do exemplo e da solidariedade internacionalista de Cuba", considerando que "o imperialismo e a reação passaram à contraofensiva, procurando a todo o custo reverter conquistas e recuperar posições perdidas".

Jerónimo de Sousa fez a declaração na sede nacional, onde decorre encontro dos dirigentes do PCP para preparar o XX Congresso, no próximo fim de semana, em Almada.