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“É um pão muito bom, é muito saboroso e, como não compro pão todos os dias, este dura algum tempo em casa”, disse à agência Lusa Henrique Correia enquanto comprava pão na Ericeira, onde a opinião foi partilhada por Maria de Jesus Correia, emigrante no Luxemburgo e de férias naquela zona do concelho de Mafra (distrito de Lisboa).

Os dois milhões de consumidores da Grande Lisboa constituíram uma oportunidade de negócio para os fabricantes de um produto que até há um ano não poderia ser vendido a longas distâncias, uma vez que não durava mais do que alguns dias sem ser consumido.

Os oito fabricantes do concelho de Mafra autorizados a usar a marca registada do pão de Mafra faturam por ano oito milhões de euros e empregam meio milhar de trabalhadores, segundo dados da Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Concelho de Mafra.

A empresa Justino Sardinha é a maior produtora, empregando uma centena de trabalhadores na produção e na distribuição do pão.

Apesar de produzir vários tipos de pão, o de Mafra é o principal, sendo fabricadas duas toneladas por mês, o que permite faturar 2,7 milhões de euros do volume anual de negócios, de 3,7 milhões de euros.

Vinte por cento da produção é vendida para os principais grupos económicos da grande distribuição. A Grande Lisboa, onde a venda de pão começou a ter expressão desde finais dos anos 70 do século passado com a greve dos padeiros e a consequente escassez de pão, absorve 90% do pão fabricado.

Desde setembro que a empresa iniciou a produção de pão de Mafra ultracongelado, mantendo todas as características do fabrico artesanal.

“A inovação é a nível da conservação do pão, para conseguir chegar mais longe, e neste momento temos todas as condições para avançar para a exportação”, explicou à agência Lusa o administrador Carlos Sardinha, que espera que o produto ultracongelado represente 10% a 20% de vendas neste primeiro ano.

O setor decidiu em setembro criar a Confraria do Pão de Mafra para promover o produto em conjunto com o município, que em julho organiza o Festival do Pão de Mafra.

A certificação do pão está também em curso: “Queremos promover o pão mais longe e proteger a sua qualidade. Existe muito pão que está a ser vendido como pão de Mafra e não é, por isso estamos a passar por um processo de certificação”, disse Susana Sardinha, presidente da confraria.

A produção e a venda do pão de Mafra remontam à Idade Média, mas foi com o pós-25 de Abril e com as respetivas greves de padeiros que ganharam visibilidade, face à consequente escassez de pão em Lisboa.

A atividade doméstica e artesanal transformou-se em empresarial e mecanizada, mas manteve fiel à origem o processo tradicional de produção – hoje em dia são usados fornos de alvenaria a lenha – caracterizado pelo elevado tempo de amassadura, tempo de fermentação curto e reduzido teor de levedura.

Barril, Carvalhal e Encarnação são as localidades do concelho onde a atividade é mais relevante, produzindo e distribuindo o pão para todo o país.