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“É fundamental que os jovens possam escolher que competências querem desenvolver ao longo do seu percurso académico, alargando horizontes em áreas do seu interesse, sem que tudo lhes seja imposto”, defende a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em comunicado, numa reação ao novo perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, recentemente apresentado pelo Governo.

No documento, a confederação defendeu a criação de um sistema de “créditos de conhecimentos adquiridos, que permita a permeabilidade de alteração do curso”, para que possam completar um percurso escolar ao atingirem um determinado número de créditos e não pela aprovação a um número de disciplinas do currículo pré-determinado.

O modelo de créditos já é, por exemplo, aplicado no ensino superior, permitindo aos alunos uma escolha num leque pré-definido de disciplinas opcionais que compõem parte dos cursos superiores, não deixando de haver uma componente de formação obrigatória.

Na mesma linha de pensamento de dar mais liberdade aos estudantes, a Confap defende que o “perfil dos alunos” para o século XXI, como sugerido pelo Governo, deve ser substituído por uma visão de “perfis do aluno”, uma alteração que as associações de pais querem que “possibilite o desenvolvimento da competências e dos talentos de acordo com o perfil de cada um, sem a necessidade de todos terem que conseguir os mesmos resultados e ao mesmo ritmo para que sejam considerados alunos de sucesso”.

Os pais querem ainda que os currículos sejam encurtados e abordados de uma forma interdisciplinar, sem segmentação de conhecimentos, defendendo ainda que sendo “demasiado extensos”, os currículos “condicionam, de forma decisiva, a criatividade e o espírito crítico das crianças e dos jovens”.

“Decididamente, verifica-se que mais carga letiva pouco mais significa do que um aumento de horas em sala de aula”, lê-se no comunicado da Confap, que defende uma “lógica de integração interdisciplinar, ao contrário da lógica de fragmentação do conhecimento por disciplinas”.

As associações de pais entendem ainda que as escolas devem ter uma “autonomia assumida e com responsabilidade” para gerir currículos tendo em conta o seu projeto pedagógico, e não devem ter o acesso ao ensino superior como condicionante do seu trabalho.

Os pais terminam com a sugestão de acompanhar os perfis dos alunos com a definição dos perfis do professor “e a consequente necessidade de se implementar uma verdadeira formação pedagógica docente”.

Por ocasião da apresentação do novo perfil de competências dos alunos o secretário de Estado da Educação, João Costa, anunciou que no próximo ano letivo, os alunos dos 1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos deveriam estar a trabalhar já com flexibilização de currículos, o que permitiria mais autonomia de decisão às escolas, cruzamento de disciplinas e mais trabalho experimental.

Esta semana, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou que qualquer mudança que se faça no ensino, incluindo os currículos, será feita “de forma gradual”, rejeitando estar a revogar qualquer estrutura curricular ou a proceder a alterações abruptas.

Os diretores das escolas defenderam hoje que é mais prudente avançar apenas com a flexibilização curricular nalgumas escolas, sob a forma de projetos-piloto, uma ideia avançada num encontro que tiveram com o Ministério da Educação e que, de acordo com a edição de hoje do jornal ‘i’, deve arrancar em 2017-2018 em 50 escolas.

Ainda de acordo com o jornal, o primeiro-ministro “deu instruções a Tiago Brandão Rodrigues para não avançar com a flexibilização curricular e evitar riscos no arranque do ano letivo”, que este ano começará a cerca de um mês das eleições autárquicas.