O voto do CDS-PP salienta que, em março de 2017, a Assembleia da República associou-se à “indignação generalizada” por declarações de Jeroen Dijsselboem sobre o estilo de vida dos povos do sul.

“O senhor primeiro-ministro disse nessa altura que, numa Europa a sério, o senhor Dijsselboem já estava demitido”, afirmou a vice-presidente do CDS-PP Cecília Meireles, que criticou o Governo por, depois, não ter “retirado consequências” e exigido a sua saída do Eurogrupo.

Na mesma linha, o deputado do PSD Duarte Marques acusou o Governo socialista de não honrar em Bruxelas a “palavra dada” em Portugal.

“Quando foi hora de decidir, Portugal baixou a cabeça e votou favoravelmente”, criticou o deputado do PSD.

A ex-secretária de Estado dos Assuntos Europeus e deputada do PS Margarida Marques reiterou que as declarações do presidente do Eurogrupo foram “completamente inaceitáveis e condenáveis”, mas acusou PSD e CDS-PP de hipocrisia por terem “convivido muito bem” com Jeroen Dijsselboem durante quatro anos.

“O presidente do Eurogrupo deixou funções ontem [quinta-feira] de ministro das Finanças da Holanda, até ser substituído há uma única reunião”, afirmou Margarida Marques, considerando o voto de repúdio por uma alegada extensão de mandato de Dijsselboem “um manifesto exagero”.

PCP e BE acusaram igualmente as bancadas do CDS-PP e do PSD de hipocrisia, com o líder parlamentar comunista João Oliveira a criticar os dois partidos por terem deixado o presidente do Eurogrupo “impor aos portugueses” um ataque às suas condições de vida.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, sublinhou que, quando estavam no poder, “PSD e CDS calavam e executavam” as políticas do presidente do Eurogrupo e eram os seus “homens e mulheres de mão” em Portugal.

Na resposta, Cecília Meireles devolveu as acusações de hipocrisia às bancadas da esquerda, dizendo que PCP e BE apoiam um Governo que “atualmente diz que não tem importância nenhuma este senhor continuar”.

“Eu digo: nem mais uma reunião, nem mais um dia”, defendeu a democrata-cristã.

Em março de 2017, poucos dias depois do seu partido ter sido derrotado nas eleições gerais holandesas, Jeroen Dijsselbloem declarou ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Não se pode gastar o dinheiro todo em copos e mulheres e depois pedir ajuda", referindo-se aos países do sul da Europa afetados pela crise da dívida pública da Zona Euro.

[Notícia atualizada às 14:02]