"A rainha continua a ser politicamente neutra, como foi durante 63 anos", afirmou a Casa Real em comunicado. "Não faremos comentários sobre declarações falsas de fontes anónimas. O referendo é um assunto que os britânicos devem decidir", acrescentou.

Quando faltam pouco mais de três meses para o referendo em que o país dirá sim ou não ao chamado Brexit, o jornal The Sun afirmou, em manchete, que "A rainha apoia o Brexit". O jornal, que citou uma fonte anónima, afirma que a rainha disse, num almoço em 2011, que a UE estava a seguir um caminho errado, referindo-se à questão da saída do Reino Unido. Na ocasião estava presente o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, que desmentiu esta informação, classificando-a de "sem sentido".

Mas, por outro lado, durante uma visita à Alemanha, em junho, a rainha fez um discurso que foi interpretado como tendo um enviesamento pró-europeu. "Sabemos que a divisão na Europa é perigosa e que devemos evitá-la tanto no oeste quanto no leste de nosso continente", declarou a rainha num banquete de Estado. O discurso, que continha referências históricas às lições da II Guerra Mundial, à queda do Muro de Berlim e à reunificação alemã, também foi uma defesa do Reino Unido na Europa. "O Reino Unido sempre esteve envolvido estreitamente no seu continente. Mesmo quando estivemos mais focados na nossa presença em outros lugares do mundo, o nosso povo teve um papel-chave na Europa", afirmou a rainha.

Na ocasião, um porta-voz do Palácio de Buckingham, citado pela BBC, rejeitou qualquer interpretação das palavras da rainha. "Não se trata da UE. A rainha é apolítica. Nunca expressaria um ponto de vista político", afirmou o assessor. A rainha tem um papel imparcial no Reino Unido e raramente faz declarações suscetíveis de serem interpretadas como uma opinião sobre os acontecimentos políticos atuais.