“Nunca pensei que tivesse de defender o setor turístico espanhol. É algo verdadeiramente inédito”, declarou Rajoy, durante uma cerimónia associada ao aniversário de uma cadeia de hotéis da Catalunha, numa alusão aos incidentes ocorridos, sobretudo na cidade de Barcelona, contra empresas turísticas e unidades hoteleiras.

Os ataques na cidade catalã foram reivindicados pela organização juvenil de esquerda Arran, que defende a independência da Catalunha e tem ligações ao partido de extrema-esquerda CUP.

Para o chefe do governo espanhol, atacar o turismo “não oferecer nenhuma alternativa sensata” e “só pode ser desejado por pessoas muito radicalizadas”.

E criticou o facto de alguns se sentirem mais confortáveis “com as más notícias, com a pobreza e o isolamento” e tenham “muita dificuldade em entender” que o turismo é a principal atividade do país ao representar 11% do Produto Interno Bruto (PIB).

Rajoy também salientou que o setor do turismo dá trabalho a 2,5 milhões de pessoas, mais de 13% do emprego total em Espanha, e contribui “muitíssimo” para o setor exportador espanhol.

“Está a melhorar e muito”, realçou o político espanhol, destacando que o setor gerou, no primeiro semestre deste ano, receitas superiores a 47 milhões de euros.

“Prejudicar a imagem de Espanha [o terceiro país do mundo em número de turistas, segundo Rajoy] conduz a menos riqueza”, acrescentou.

Entretanto, as agências de viagens espanholas não escondem que estão preocupadas com este movimento que apelidam como “turismofobia”.

Preocupações que surgem no mesmo dia em que foram registados novos incidentes desta vez em Bilbao, no País Basco, onde a sede da Agência Basca do Turismo foi vandalizada com tinta vermelha.

O presidente da Federação espanhola das associações das agências de viagens (FEAAV), Rafael Gallego, reconheceu que o setor vive com “muita preocupação” perante a eventual repercussão para o mercado exterior destes episódios de “turismofobia” e alertou para o perigo de acontecer algum incidente grave.

O representante pediu ainda aos responsáveis políticos para eliminarem das suas declarações qualquer indício de permissividade face a este tipo de comportamentos que têm como alvo o turismo espanhol.