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Carolijn Brouwer escolheu a vela como profissão. Nascida na Holanda, ainda mal andava quando viajou para o Brasil onde morou mais de dez anos. No Rio de Janeiro descobriu a paixão pela vela e por barcos. “Foi na Lagoa Rodrigo de Freitas que velejei pela primeira vez”, recorda.

No regresso à Holanda resistiu à orientação da mãe que lhe indicou o caminho do hóquei em campo, “que é o desporto nacional”, diz. “Fomos dar uma volta e vi uma lagoa, era fevereiro, vi uns Optimist e disse que era para lá que queria ir. Duas semanas depois estava na água. Com luvas e gorro. E nunca mais parei”, sublinhou.

De lá para cá soma milhares de milhas náuticas e três Jogos Olímpicos - Sydney, Atenas e Pequim -, sendo que o último representando a Bélgica. “Naturalizei-me para poder velejar”, refere Carolijn Brouwer.

Este ano, participa pela terceira vez na Volvo Ocean Race (VOR), agora com a Dongfeng Race Team, depois de na última edição desta prova que dá a volta ao mundo ter embarcado com a Team SCA, equipa exclusivamente de mulheres, e em 2001-2002 ter feito “duas etapas” com a Amer Sports Too.

Fluente em neerlandês, português, inglês, francês, espanhol e alemão, com “coração brasileiro”, atualmente vive na Austrália, “numa casa à beira mar” juntamente com Darren Bundock, também ele velejador profissional.

Uma mulher habituada a velejar entre homens

Carolijn Brouwer, 43 anos, velejou na anterior edição da VOR numa equipa exclusivamente feminina. Reconhece que “é diferente velejar só com homens ou só com mulheres”. A propósito da sua entrada na Dongfeng, a velejadora holandesa recorda que no passado velejou “mais em equipas mistas”. Todavia, para Carolijn “é uma coisa natural velejar com homens. Dentro da vela é comum”, sublinha.

Recordando a experiência a bordo de um barco exclusivamente feminino, conta que “ao velejar com 11 mulheres, temos que nos conhecer bem e habituarmo-nos umas às outras. Levou muito tempo”, confessa. Agora, dando seguimento à alteração de regras para a inclusão de equipas mistas, integrada na tripulação que compõe a Dongfeng, reconhece que é “mais uma questão de as pessoas se acostumarem umas às outras. Há muitas nacionalidades: chineses, franceses, australianos, da Nova Zelândia, eu sou holandesa, a Marie é francesa (Marie Riu é a outra velejadora da tripulação do barco chinês)”, enumera. “Temos que trabalhar muito para nos conhecermos bem, mais do que pelo facto de estarmos com homens e mulheres”.

Assumindo que quem tem vergonha fica em casa, sublinha: “somos todos velejadores e não olho se é homem ou mulher. É mais uma questão de termos todos o mesmo objetivo. Todas as cabeças e todas as caras estão na mesma direção e isso é o mais importante. Para atingir o mesmo objetivo e não faz diferença se é homem ou mulher. É uma equipa junta que tenta atingir o mesmo objetivo”, conclui.

E por falar em objetivo, Carolyn traçou um. Pessoal e igual ao que tinha feito na anterior edição da VOR. “O meu filho faz 6 anos. Da última vez que fiz a VOR com a equipa feminina (Team SCA) viajou o mundo inteiro. Eu de barco e ele de avião. Seguiu-me até todos os stop overs (portos onde os barcos que dão a volta ao mundo atracam)”, recorda. “Para mim é a única maneira, se não eu não poderia fazer o que faço”, vinca.

Na edição 2017-18, já na escola (na Austrália), para onde “entrou aos cinco anos”, Kyle será “resgatado a cada duas semanas para me ir ver em cada um dos 11 portos”, conta. “Dá-me outra força. A maternidade mudou-me como pessoa. Fez-me uma pessoa mais completa. E ajudou-me no que faço na vela”, reconhece.

Para que tal suceda, "tenho a ajuda e suporte de família amigos e de uma nanny (ama) que cuida do meu filho enquanto eu estou no mar. É saber que estão dando o carinho e o amor que precisa que torna possível que eu o possa deixar por vezes durante 28 a 30 dias, o que é muito tempo”, adianta.

“O engraçado é que o meu filho detesta a vela porque o pai e a mãe são velejadores e cada vez que estamos velejando estamos fora de casa. Associa a vela ao facto de pai e mãe estarem fora de casa e por isso não gosta da vela”, sorri Carolijn Brouwer, velejadora que integra a tripulação do Dongfeng Race Team na Volvo Ocean Race 2017-2018.

A regata à volta do mundo terá início em Alicante a 22 de outubro, e depois passará por Lisboa, Cidade do Cabo, Melbourne, Hong Kong, Guangzhou, Auckland, Itajaí, Newport, Cardiff e Gotemburgo, antes do grande final em Haia no fim de junho.

O Dongfeng é uma das três equipas anunciadas até este momento para a próxima edição da Volvo Ocean Race, juntamente com o Team AkzoNobel (Holanda) e o MAPFRE (Espanha). Uma quarta equipa já está confirmada e será anunciada no final de março.