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O Leicester City não para de continuar a surpreender o mundo e mantém-se como um baluarte do sonho que move multidões no mundo do futebol. Agora numa competição diferente, a maior em que um clube europeu pode participar: a Liga dos Campeões.

O ano passado, comandados por Claudio Ranieri, os foxes conquistaram o título do campeonato inglês contra toda e qualquer previsão. Era fácil no início da temporada de 2015/16 para as casas de apostas propor 5000 contra 1 na possibilidade de o Leicester ser campeão da liga inglesa - probabilidades que se mais pequenas do a possibilidade de Bono, vocalista dos U2, se tornar no próximo Papa, 1000/1, ou Kim Kardashian se tornar na próxima presidente do Estados Unidos da América, 2000/1. O inusitado custou 15 milhões de dólares (cerca de 14,12 milhões de euros) às casas de apostas.

A nova época começava com as novas camisolas dos comandados de Ranieri a envergar o galardão de campeão inglês. Mas o treinador italiano desvalorizava, e nunca se chegou a assumir como candidato ao título. E a prestação da equipa que guiou o sonho de todos os Davids que ambicionam um dia conquistar competições dominadas por Golias, foi-se esbatendo em resultados menos conseguidos.

No início de 2017 tudo desmoronou. O Leicester aproximava-se dos lugares de descida e a prestação nas Taças, (EFL Cup e FA Cup) correu mal, tendo acabado eliminados prematuramente. Sobrava a Liga dos Campeões onde tinham, com alguma surpresa, alcançado os oitavos-de-final após terem conseguido o primeiro lugar na fase de grupos.

Somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; Shakespeare

Após a primeira mão, Ranieri, o homem do sonho, foi despedido numa notícia que não deixou ninguém do mundo do futebol indiferente. Craig Shakespeare, adjunto do italiano, assumiu interinamente o comando dos foxes e, após duas vitórias consecutivas para a Premier League, diante do Hull City de Marco Silva (3-1) e do Liverpoool (3-1), foi anunciado como treinador até ao final da época.

O primeiro desafio de Shakespeare enquanto timoneiro principal dos foxes era dar a volta à eliminatória da Liga dos Campeões. Na primeira mão, o Leicester tinha-se deslocado até Sevilha, ao Ramón Sánchez Pizjuán, onde perdeu por 2-1.

A ronda decisiva fazia-se no King Power Stadium, em terras de sua majestade. Comandados por um homem cujo nome profetiza as mais belas conquistas, os foxes mostraram ser feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos.

O Leicester pôs-se cedo na frente do marcador, com um golo do central Wes Morgan assistido por Mahrez, aos 27 minutos, o primeiro alguma vez marcado por um jamaicano na Liga dos Campeões. Após o intervalo, Albrighton fez abanar novamente as redes, aos 54 minutos, colocando os campeões ingleses mais perto dos ‘quartos’.

O sonho ganhou a forma final aos 80 minutos de jogo quando Kasper Schmeichel defendeu um penálti de N’Zonzi, que falhou a oportunidade de empatar a eliminatória. O guardião dinamarquês tornou-se assim na peça chave desta passagem e entrou para a história como o primeiro homem a defender uma grande penalidade em cada uma das mãos de uma eliminatória.

O jogo terminava e o Leicester, estreante na liga milionária, tinha carimbado a passagem aos quartos-de-final.

Tal pai, tal filho

Caso o Leicester se sagre campeão europeu, Kasper Schmeichel, filho do histórico guardião Peter Schmeichel, que defendeu as redes do Manchester United e do Sporting, entra para o restrito grupo de famílias que ergueram a orelhuda em gerações diferentes.

Apenas dois apelidos, até à data, ficaram inscritos na Liga dos Campeões como tendo conquistado a maior competição de clubes europeus por pai e filho. O primeiro foi o apelido Maldini. Cesare Maldini, antigo defesa do AC Milan, conquistou a Taça dos Campeões Europeus na época 1962/63. O seu filho, Paolo Maldini, venceria a mesma competição por cinco vezes.

O outro caso é o apelido Busquets que ergueu a orelhuda primeiro por Carles Busquets, guarda-redes do Barcelona, na temporada 1991/92, e mais recentemente pelo seu filho, Sergio Busquets, médio dos blaugrana, que aos 28 anos já ergueu o mesmo troféu por três ocasiões.

Agora o apelido Schemeichel pode juntar-se à lista caso os foxes vençam a edição de 2016/17 da liga milionária, que se juntará à Liga dos Campeões conquistada pelos red devils, e por Peter Schemeichel, em 1998/99.

Agiganta-te, Leicester

Com esta prestação o campeão inglês passa a figurar entre os melhores estreantes de sempre da Liga dos Campeões colocando-se lado a lado como as equipas do Auxerre de 1996/97, do Bayer Leverkusen de 1997/98, do Chelsea de 1999/00, da Lazio de 1999/00, do Deportivo de La Coruña de 2000/01, do APOEL Nicosia de 2011/12, ou do Málaga de 2012/13.

Todas as histórias acima terminaram nos quartos-de-final. E o Leicester de agora vai ter de se agigantar para conseguir concretizar a melhor estreia de sempre na liga milionária e ter hipóteses de concretizar o impossível, tal como fez o ano passado.

Sabe-se, por agora, que na próxima eliminatória da Liga dos Campeões poderemos ver as raposas de Shakespeare a defrontar o Barcelona, autor da ‘La Remonatada’, ou o Real Madrid, atual detentor do troféu. Para além dos temíveis espanhóis, os campeões ingleses podem encontrar o Bayern Munich, Borussia Dortmund, a Juventus, o Atlético de Madrid - equipa que os eliminou tanto na segunda eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças de 1961/62 (1-1 em casa, 0-2 fora) como na primeira eliminatória da Taça UEFA de 1997/98 (1-2 fora, 0-2 em casa) - ou a outra surpresa da competição, o Mónaco comandado pelo único português em prova.

É o mesmo Leicester, movido pela mesma garra. O futebol não é eloquente, as jogadas não são magistrais. O jogo físico, é organizado. Vem do coração. De novo, são estes os foxes que conquistaram um campeonato entre os milhões e os grandes nomes de clubes como Chelsea, Manchester City ou Arsenal. Um guião agora por Shakespeare ou como o Leicester continua a perseguir o sonho.