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Esta quarta-feira o Barcelona conseguiu o ‘milagre’: virar a eliminatória da Liga dos Campeões após ter perdido por 4-0 na primeira-mão. A continuidade dos blaugrana na competição milionária parecia impensável. Os parisienses já celebravam a passagem desde o final dos 90 minutos do primeiro jogo.

Mas havia mais 90 minutos para serem escritos, e os pupilos de Luis Enrique, sem nada a perder, entraram com tudo. A tripla MSN (Messi, Suarez e Neymar) fez 4 golos, Kurzawa ajudou com um auto-golo e Sergi Roberto, o menino da cantera, levou Camp Nou ao delírio com um golo no último minuto da partida. Foi a ‘La Remontada’ e fica para a história como uma das maiores reviravoltas da história da UEFA.

Os catalães conseguiram o que muitos apelidaram de milagre. Mas não foram os únicos. Ao longo da história várias equipas mostraram que o intervalo ou o fim do jogo de uma primeira-mão não era o fim. Em 45 ou 90 minutos é possível escrever uma daquelas belas histórias que emocionam qualquer adepto de futebol.

Que o diga, por exemplo, o Liverpool de Rafael Benítez quando em 2004/05 jogava a final da Liga dos Campeões frente ao AC Milan. Ao intervalo dois golos de Hernán Crespo e um de Maldini pareciam sentenciar todas as possibilidades de os reds erguerem a ‘orelhuda’. Mas na segunda parte, Gerrard, Xabi Alonso e Smicer marcariam os tentos que levaram o jogo para o prolongamento e, depois, para o desempate por pontapés da marca de grande penalidade. Nos penáltis os ingleses foram mais felizes.

As equipas portuguesas também entram neste lote. A mais épica remontada lusitana talvez tenha um protagonista inesperado: o Leixões. O clube de Matosinhos, que atualmente milita no segundo escalão do futebol português, conseguiu, em 1962, virar uma eliminatória que na primeira-mão tinha perdido por 6-2.

Na altura, o clube do norte tinha conseguido algo inédito na sua história, vencendo a Taça de Portugal da época 60/61 após bater o FC Porto por 2-0 no estádio das Antas. Tal feito valeu-lhe a presença na edição da Taça das Taças, competição da UEFA (entretanto extinta) que juntava os vencedores das várias taças nacionais.

Era a estreia do Leixões em competições europeias… e que estreia que foi. O sorteio ditou que a equipa portuguesa enfrentaria o La Chaux-de-Fonds, da Suíça. O primeiro encontro foi jogado além fronteiras e os matosinhenses foram pesadamente derrotados por 6-2. Mas o inédito viria a acontecer na segunda-mão, no Campo Santana, quando o Leixões recebeu e venceu a formação suíça por 5-0, deixando para a história uma das reviravoltas mais épicas do futebol europeu.

A equipa portuguesa viria a avançar ainda mais uma eliminatória na competição, eliminando os romenos do Progresul, mas acabaria afastada nos quartos-de-final pelos alemães do FC Carl Zeiss Jena, num jogo que meteu política ao barulho.

Na altura, ambas as formações agendaram os encontros para Jena e Lisboa (na altura o Leixões jogava em campo emprestado), mas à última da hora os alemães mudaram tudo e propuseram que as duas mãos se disputassem na Alemanha, à época dividida pelo muro de Berlim. A formação portuguesa reclamou, tendo mesmo obrigado a NATO a intervir. A organização militar (e há quem diga que também Salazar) recusaram os vistos de entrada dos jogadores em Portugal e os dois jogos acabaram mesmo por ser realizados em território germânico.

O troféu dessa época viria a ser erguido pelo Atlético de Madrid, onde atuava Jorge Mendonça, o primeiro jogador português a jogar na primeira divisão de um campeonato estrangeiro.

[Notícia corrigida às 13h50: Alterada a informação em relação ao estádio onde foi disputada a final da Taça de Portugal da época 1960/61 ]