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Hoje foi dia de visitar o campus do Alibaba na sua sede em Hangzhou, próximo de Xangai, uma experiência ao nível de uma visita à Google, Apple ou Microsoft. Uma realidade … brutal, a um nível assustadoramente inesperado. Não que não soubéssemos quem é o Jack Ma ou o Alibaba, mas, no meu caso particular, estava muito longe da realidade global.

Na China, pese embora toda a evolução e crescimento, existem muitas pessoas com vidas difíceis. Quando o fundador do Alibaba foi a Nova Iorque ao lançamento das ações da empresa naquele mercado financeiro levou consigo oito pequenos empresários, clientes do Alibaba Group. Porquê? Para reforçar a mensagem que a sua missão é melhorar a vida dos pequenos empresários que usam as suas ferramentas digitais.

A visão da empresa é primeiro os clientes, depois os empregados e em terceiro lugar os accionistas. A cor laranja da empresa significa 'paixão' (se for a uma entrevista, lembre-se de levar uma peça de roupa cor de laranja!). A frase que deu o mote a um dia de trabalho no campus do Alibaba Group foi “Alibaba foi criado na China, mas pertence ao Mundo!”. No grupo Alibaba há uma estratégia definida como “inclusiva”, potenciação do crescimento sustentável e mais saudável. O "e-commerce”, a logística e o big data são, neste momento, os principais motores das diferentes marcas associada ao grupo, tendo presente a visão de Mao em retribuir aos camponeses (hoje também pequenos empresários) ferramentas que os possam potenciar.

Uma das ferramentas mais conceituadas do grupo Alibaba é a plataforma de pagamentos Alipay.No mercado global há três meios de pagamento principais, Visa, Mastercard e Alipay, neste momento Visa é o número um, Alipay é o número dois (50% das transações dentro da China) e Mastercard é o número três, mas a tendência de aproximação do Alipay à Visa é acentuada, perspectivando-se que, no futuro próximo, venha a rivalizar ao mesmo nível do do líder em volume e valores transacionados.

Uma das justificações é o facto das ferramentas de pagamento mobile estarem mais desenvolvidas e com o uso mais democratizado na Ásia. O Alipay é usado na maioria por homens, mas, curiosamente, estima-se que a maioria das transações registadas como sendo feitas por homens correspondam a compras realizadas pelas suas esposas.

Esta plataforma tem 443 milhões de compradores ativos, com 10 milhões de fornecedores de serviços, sendo que 84% das compras são feitas em mobile. Prevê-se que o Alipay será responsável pela criação de mais de 10 milhões de postos de trabalho, com 493 milhões de utilizadores mensais, num volume de 474 mil milhões de transações, 120 mil transações por segundo … uma loucura ver os mapas digitais e estar numa sala a ver transações em tempo real!

Os principais mercados fora da China a usar o Alipay, por ordem de relevância: Japão, Coreia do Sul, Austrália e Alemanha. Uma outra ferramenta que foi adquirida pelo grupo Alibaba é a PayTM que é definida como “o filho que nasceu antes da mãe”. Em 2014, tinha 17,6 milhões de utilizadores, mas em 2016 ultrapassou os 180 milhões. Na empresas do grupo Alibaba, as contas fazem-se em números … grandes, muito grandes. Nestes momentos, olhamos para Portugal e … é isso.

Mas o que me deixou de queixo caída é o sistema de crédito automatizado. Em três minutos, com base em big data dos utilizadores, muitos deles sem conta bancária, sistemas de Inteligência Artificial , decidem se aceitam ou não conceder créditos que podem ser reembolsados entre um dia a um ano, com juros diários e sem penalização de pagamento antecipado! #$*%#& brutal!

Uma máquina decide se há viabilidade económica com base em informação analítica e o crédito global malparado é de apenas 3%.

Esta visão de crédito inclusivo - todos podem aceder ao crédito - desafia, na minha óptica, os mecanismos de muito do que é feito na Europa. Este é um dos exemplos que claramente gera impacto muito positivo numa economia de consumo. Este serviço está disponível em 357 cidades chinesas, não existe representação física da ferramenta que apenas tem presença digital. Cerca de 5,5 milhões de pequenas empresas, sem acesso ao crédito tradicional via balcões de bancos, quer pelo risco que representavam quer pela celeridade do processo de decisão e disponibilidade dos recursos, num total de 137 biliões de dólares em empréstimos concedidos. Cerca de 1,6 milhões de chineses em contexto rural já beneficiaram desta ferramenta, num volume total de 29 mil milhões de dólares emprestados.

As principais ferramentas de venda a consumidores, do Alibaba Group são Tmall e Taobao (se tem ambições de vender produtos na China aos consumidores finais e não conhece estas ferramentas, anda mal aconselhado, porque isto é o básico) apoiadas na plataforma logística Cainiao presente em 224 países.

A proteger todo o ecossistema baseado na cloud existe um serviço Alibaba Cloud, que rivaliza com a Amazon. Esta ferramenta do Alibaba, que protege diariamente 37% dos sites chineses, tem mais de três milhões de ataques cibernéticos oriundos sobretudo da Russia, Argentina, India, Estados Unidos e Equador. Confesso que fiquei surpreendido com a Argentina e Equador, mas será certamente ignorância minha.

Em suma, uma Senhora Empresa, da China para o Mundo, que 20 anos depois de ser fundada está em processo de globalização, a tal “Chinalização da Economia”, seguindo as orientações do governo, as tendências do mercado e dando resposta aos utilizadores à escala global, não necessariamente por esta ordem.

Por último uma nota de sustentabilidade muito interessante num país que procura dar a volta às questões de poluição. O Alibaba promove comportamentos que geram menos consumo energético, através de inferência de comportamentos com inteligência artificial e big data, e sempre que energia é economizada os valores poupados revertem para um projeto de reflorestação na Mongólia Interior, uma das províncias da China. Quando, um dia, essas árvores originarem ganhos, estes revertem proporcionalmente para os utilizadores. Tudo isto é big data, cloud, inteligência artificial e sustentabilidade, um exemplo de boas práticas e disrupção.

Um dia magnifico de aprendizagem e com a sorte de poder contar com uma equipa da Alibaba a explicar-nos a filosofia da empresa e dos negócios. O CFO do Alibaba Group rejeitou o nosso presente, porque é política da empresa não aceitar presentes, convites para eventos, etc. Tudo à luz de maior transparência - uma atitude invulgar, mas naturalmente justificável à luz das regras da empresa. Acerca do campus do Alibaba … na comparação com o campus da sede da Google em Mountain View as principais diferenças estão na cor das bicicletas (são cor de laranja, claro) e não há tantos campos de vólei. Naturalmente à boa maneira asiática, o ambiente é mais formal e não há tanta dispersão. Não deve haver nenhum negócio digital ou offline que não estude muito bem o Alibaba Group para tirar as maiores vantagens e entrar num mercado muito competitivo, muito digital e sobretudo mobile.

Até breve.