Desde cedo que me interessei por causas sociais que me rodeavam e pelo voluntariado enquanto ação inerente ao exercício da cidadania. Comecei por ser voluntário num Lar de Idosos quando andava no Secundário, já na faculdade fui voluntário no CASA (Centro de Apoio ao Sem Abrigo) e integrei uma ONGD ao longo de três anos, o GASNova, através da qual recebi formação e fui voluntário, primeiro junto de uma comunidade cigana em Portugal e depois em São Tomé e Príncipe.

Agora, após uma licenciatura em Serviço Social e um estágio no Brasil preparo-me para ser voluntário num campo de apoio a refugiados na ilha de Lesbos (Grécia) junto da ERCI, uma ONG grega.

Como forma de financiar os custos inerentes à minha deslocação e alimentação, através do Grão a Grão, organizei jantares em minha casa, para amigos, amigos de amigos, conhecidos e desconhecidos, onde cada um dava o que quisesse e achasse justo. Mais do que uma angariação de fundos, estes jantares serviram outro propósito, o de suscitar o debate e a conversa em torno de uma causa que, apesar da sua dimensão, fica muitas vezes esquecida e fora da agenda pública.

Cheguei na segunda-feira a Atenas e o dia de terça foi passado num barco a caminho da ilha de Lesbos, assim, o primeiro olhar que tive da Grécia foram as suas ilhas, que ia apreciando ao longe a cada escala do barco.

No dia seguinte tive a oportunidade de ter um primeiro contacto com o campo de Kara Tepe. Dizem-me que o número de pessoas a chegar à ilha entre Abril e Julho deste ano aumentou, e que todos os dias podem chegar novas famílias.

Estão presentes no campo organizações que desenvolvem um conjunto de atividades muito diversificadas na área da saúde, no apoio às famílias e na educação não formal.

A primeira tarde/noite que estive em Kara Tepe foram ocupadas, primeiro com uma sessão de natação para as crianças na praia que a ERCI organiza e depois detive-me a jogar futebol com algumas crianças e jovens, afinal, que língua mais universal essa que apenas necessita de uma bola e duas garrafas a fazer de baliza?

Afonso Borga tem 22 anos, é licenciado em Serviço Social e apaixonado por causas humanitárias. Durante os meses de agosto e setembro, e após outras experiências de voluntariado, estará num campo de refugiados em Lesbos (Grécia) com a ERCI, uma ONG grega, e irá relatar ao SAPO 24 essa experiência através de crónicas que poderá ler aqui.