Das ideias mais inovadoras às reformadoras. Das mais arriscadas às mais conservadoras. Da procura de financiamento à procura de parceiros e visibilidade. Por entre estas bancas havia repetentes, da edição do ano passado, e estreantes.

Numa altura em que o ecossistema do empreendedorismo e da inovação vivem os seus dias dourados, o SAPO 24 percorreu os corredores da FIL à procura de boas ideias. Umas estavam, lá outras vieram à banca do SAPO, para o Pitcher, e apresentaram-se lá.

Estas são 10 boas ideias que encontrámos:

1.

Eles querem ser a Wikipédia da noite

créditos: MadreMedia/DR

Francisco Coutinho e Bárbara Barbosa têm 21 e 18 anos, respetivamente. São jovens, mas ambiciosos. Que o diga Francisco que com pouco mais de vinte anos já tem a sua própria agência publicitária - a Crewave.

Jovens e fãs de beber um copo à noite deram por si perdidos quando queriam sair com os amigos para um sítio novo ou saber onde havia alguma festa. “Há muitas plataformas, mas a informação está completamente dispersa. Tu não consegues gerir a informação toda numa. A WikiNight surgiu para isso, para os consumidores diretos, que são os clientes dos bares e discotecas, as pessoas que gostam realmente de sair à noite e beber um copo, de pesquisar por bares com tipos de músicas específicos, com festas específicas ou com promoções do tipo 'afterwork' ou 'happy hours'. Fazer essa filtragem de acordo com a preferência de cada um”, explica-nos Bárbara.

O objetivo da WikiNight é juntar bares e discotecas numa aplicação móvel que permita ao utilizador ter várias opções para ir passar a noite, para além de oferecer promoções.

créditos: MadreMedia/DR

“Tens também um QR code que podes passar em bares e discotecas associados a nós e ganhar pontos e depois recebes um brinde, consoante o estebelecimento”, conta-nos Francisco.

Ainda com menos de uma semana de vida, a WikiNight conta com mais de 100 utilizadores e 15 bares/discotecas parceiros na área de Lisboa, para além de anteriormente já terem conseguido um bom investimento de um business angel americano. Quanto, perguntamos quando, respondem: “O suficiente para termos podido desenvolver a aplicação”, dizem sem pormenores.

2.

Um divórcio (mais) simples, com certeza.

créditos: MadreMedia/DR

Passar por um divórcio não é simples, a nível legal e pessoal. A Teamwork Family não se quer meter em burocracias, mas sim oferecer uma plataforma de soluções para que tudo seja mais simples, sobretudo entre pais que têm de dividir a custódia de crianças.

“Se quiser prosseguir um divórcio de uma forma amigável, nós temos a plataforma que pode resolver isso, fazendo perguntas antes que os dilemas aconteçam. Se um casal tiver filhos e decidir separar-se, o sistema, por exemplo, vai fazer uma série de perguntas: quem leva os filhos onde e quando, onde é que as crianças vão passar o natal este ano, o próximo, etc..”, explica-nos Richdardt Deleuran.

O sistema gera depois um calendário detalhado, em horas, de quem fica com as crianças e quanto tempo passa com elas, para além de incluir também uma calculadora para as despesas. Mas não só: a app também pode ajudar ao nível da propriedade, na divisão da casa, dos bens.

A empresa dinamarquesa veio para Portugal à procura de parceiros - psicólogos, advogados, etc.. O grande objetivo é aliviar a carga emocional de uma criança cujos pais se separaram e evitar que estas se coloquem em situações de risco no futuro.

“Queremos diminuir os níveis de conflito e assim diminuir níveis de criminalidade, de desemprego. O rating de suicídio é muito maior em pessoas com os pais divorciados, sabia?”, conta-nos Deleuran.

A aplicação está numa fase beta, com 50 utilizadores, e terá o custo de três euros por mês.

3.

Como vai pagar? Cartão ou dinheiro? Blue Code, por favor

créditos: MadreMedia/DR

A tecnologia desenvolve-se e aproxima-se da nossa vida para a facilitar. E é isso que a Blue Code pretende fazer: um pagamento de forma 100% segura, sem qualquer cartão ou intermediário. É só encostar o seu ‘code’, no ecrã do telemóvel, ao leitor do estabelecimento e já está.

A Blue Code não é nenhuma estreante por estas andanças, encontrámo-la na zona Start, a ‘última turma das startups’ na Web Summit. Já estão em 85% das cadeias de restauração na Áustria, assinaram contrato com um dos maiores bancos alemães e vieram a Lisboa à procura de parceiros para entrar no mercado português.

Mas por trás está uma ambição muito maior: “ visão é criar um esquema de pagamento europeu. Os esquemas de pagamento que temos hoje - Apple, Mastercard, Visa -, no final, levam grande parte do dinheiro para os Estados Unidos. O nosso CEO quer criar um esquema de pagamento 100% europeu onde o dinheiro vai circular somente dentro do espaço europeu”, explica Bruno Loiola, gerente da empresa suíça.

Para além disso, Laiola diz “orgulhar-se” de ter um dos métodos de pagamento mais seguros. “Em nenhum momento da transação temos as informações dos clientes, isso está com o banco”, sublinha.

“Nós simplificamos, só isso”, diz.

4.

E se pudesse colocar uma casa a arrendar sem se ter de preocupar com o resto? Agora pode

créditos: MadreMedia/DR

Colocar uma casa arrendar, por estes tempos, parece ser um negócio na moda, facilitado pelo crescimento de plataformas como a Airbnb. Mas ter uma casa sempre apresentável, com todas as regras cumpridas não é fácil. Foi para isso que nasceu o Hostmaker, para livrar o dono do apartamento de preocupações. “A sua casa em boas mãos”, dizem no site.

“A ideia nasceu depois do fundador da empresa, e a mulher, terem notado que havia uma falha no mercado. Eles próprios colocaram uma casa a alugar no Airbnb e perceberam que havia dificuldade em ter alguém que capaz de fazer toda a gestão de um apartamento, o que não é nada fácil”, explica-nos Iolanda Maia.

A Hostmaker já está na zona Start, da Web Summit, ou seja, entre os mais crescidos. Cá estão sobretudo à procura de parceiros, uma vez que vão abrir em Portugal ainda durante o mês de novembro, depois de terem recebido um investimento de 15 milhões de euros que permitiu a expansão para outros mercados.

5.

Prever para poder agir melhor, esta app quer democratizar o acesso de empresas à contratação pública

créditos: Web Summit/DR

O Estado é o maior comprador em qualquer país. O problema é que 90% dessas compras são restritas, tipicamente por ajustes diretos, em que uma, duas, três empresas são convidadas a participar. O que é que a Govwise quer fazer? Quer democratizar o acesso das PME's à contratação pública.

“Nós queremos antecipar a previsão das compras do setor público através de dados. Aproveitamos diretivas e obrigações europeias que levam a que entidades públicas libertem toda a informação disponível de qualquer empresa ou particular, a chamada open data. Trabalhamo-la e através de algoritmos de previsão conseguimos prever as compras das entidades públicas antes de estas acontecerem o que, obviamente qualquer empresa”, explica-nos Francisco Vaz Figueiredo, cofundador da empresa.

“Em Portugal são gastos 2 mil milhões de euros em compras públicas por ano a 40 mil empresas distintas em território luso”, sublinha Pedro Marques, também cofundador.

Poupar tempo, aumentar as possibilidades e eficácia é isto que a Govwise tem para oferecer. Do outro lado estão à procura que um investimento na ordem das “algumas centenas de milhares de euros”, para o plano de comunicação e lançar o produto no mercado. Dizem sair da Web Summit com a sensação de que valeu a pena: conseguiram reuniões e contactos que se prolongarão para lá do evento.

6.

Uma rede social de... sítios

créditos: MadreMedia/DR

“Nós somos um grupo de amigos que costumava estudar em grupo. E todos os dias havia sempre um pequeno problema para combinar as coisas: demorava-se sempre a saber quem já tinha chegado, quem estava a caminho, quem ainda estava em casa”, explica-nos João Robalo.

No tempo em que as aplicações móveis ajudam a facilitar a vida na palma das mãos, foram os três à App Store e Play Store, mas todas as soluções que encontraram implicavam um tracking constante. Era “bastante invasivo”, sublinhou Miguel Paiva.

A solução foi criar uma ideia e apresentá-la. A aplicação que viria a chamar-se Places chamou a atenção de um grupo de investidores - “quando era ainda e só um powerpoint”, contam-nos - que investiram 100 mil euros na ideia. O resultado é uma rede social na qual adicionamos lugares - bibliotecas, centros comericais, estádios, etc. Uma vez ligado aos lugares, e aos amigos, conseguimos sempre saber que uma pessoa que conhecemos chegou ao mesmo espaço que nós.

“O Places é automático, mas ao mesmo tempo não te consome a bateria. Não te está sempre a perguntar onde é que tu andas. Nós usamos uma tecnologia em que a app só acorda quando entras no teu place [sítio]”, explica Robalo que diz que os três jovens vieram à Web Summit dar-se a conhecer para juntar um número cada vez maior de utilizadores e continuar a somar feedbacks.

7.

Um cofre online para a vida (e para a morte)

créditos: MadreMedia/DR

Imagine toda a sua vida num cofre, online e encriptado. Tudo: códigos, informação de contas bancárias, passwords. A Kylega pode ser isto, pode ser um cofre. Mas ainda pode ser mais. A principal característica desta app é que que distribui a informação guardada, em caso de qualquer fatalidade, a pessoas da família ou anteriormente designadas pelo utilizador.

“Nunca nenhuma das partes sabe o que vai receber, nem quando vai receber nem sequer se vai receber”, garante Bruno Martins da Kylega.

A aplicação está neste momento a ser testada e na Web Summit procuraram parceiros, uma vez que a plataforma é principalmente destinada a grupos de risco - bombeiros, pescadores, polícias, etc.-

A Kylega foi uma das empresas que participou no Pitcher do SAPO 24, com o ‘shark’ Tim Vieira.

8.

Um melhor amigo para o seu melhor amigo não lhe destruir a casa

créditos: MadreMedia/DR

“Eu adotei uma cadela de um refúgio e no início ela estava destruir tudo em minha casa: roeu o sofá, a minha mesa e chegou mesmo a roer a televisão. Primeiro comecei por colocar uma câmara. Aí conseguia ver o que ela fazia, mas era incapaz de a impedir de estragar tudo. Assim surgiu a ideia de criar um robot que se movesse e que pudesse distrair ou estimular um cão”, conta Thomas Samtmann, CEO da CamToy.

Foi assim que, há um ano e meio, nasceu a Laika, um pequeno robot cor-de-rosa “companheiro dos cães, que permite aos donos interagir com os seus animais de estimação a partir de qualquer lugar, utilizando o smartphone”, explica.


“A Laika consegue deslocar-se, de forma autónoma, para qualquer lugar da casa, atrás do cão, consegue falar com ele e transportar biscoitos”. Se o dono estiver ocupado, a Laika é capaz de brincar com o animal — no caso dos cães mais ativos — ou ir verificar, de tempos a tempos, se está tudo bem com ele — caso estejam a dormir ou em convalescença.

A próxima etapa é dar à Laika alguma inteligência, “para que seja capaz de aprender com a interação e adaptar o seu comportamento ao do cão”, explica Thomas.

9.

Precisa de um empurrãozinho para começar a andar mais de bicicleta? É a Biklio

créditos: MadreMedia/DR

Andar de bicicleta faz bem à saúde, ao ambiente e à cidade. Então, porque não recompensar as pessoas que utilizam este meio de transporte? Foi este o pensamento de João Bernardino, fundador da Biklio, uma aplicação que dá prémios - brindes, descontos, etc. - aos ciclistas.

É muito simples, diz Bernardino: “a aplicação percebe quando é que estamos a andar de bicicleta, não a precisamos de ligar e no final da viagem agradece o facto de termos ido de bicicleta e dá-nos um conjunto de descontos em ‘x’ lojas”.

A Biklio teve a oportunidade de participar no Pitcher, no stand do SAPO, com um mentor especial: Fernando Medina.

Atualmente, a aplicação já tem mais de 800 utilizadores e 40 lojas inscirtas.

10.

Bom dia. Queria encomendar um chefe de renome para fazer o jantar, pode ser?

créditos: MadreMedia/DR

A Supper Stars e uma plataforma que lhe permite levar os melhores chefs do país a cozinhar em sua casa, sem qualquer tipo de preocupação. “Nós temos chefes no país inteiro, de norte a sul do país, cerca de 30 chefes. Nós vamos a casa do cliente, aproximadamente duas horas antes da refeição e preparamos um jantar top com chefes com um alto histórico, alguns com estrelas Michelin”, diz João Ribeiro, diretor de Operações, ao SAPO 24.

A empresa foi uma das convidadas no stand do SAPO, para o Pitcher, e lá João contou como nasceu a ideia: “os dois fundadores da empresa trabalhavam juntos na BCG - uma consultora - e depois de alguns momentos em confraternização perceberam que havia uma falha na oferta em relação a jantares em casa, uma coisa cómoda”, explica.


“Eles têm filhos e perceberam que não era possível ter uma qualidade 'top' sem grandes chatices e a um preço acessível. Começaram a estudar algumas hipóteses e apareceu a Supper Stars”, conclui João.

Entrando no site o processo é todo explicado e passa por quatro fases: escolher um chefe, reservar um menu, desfrutar da refeição e partilhar a experiência. Ah, e não se preocupe eles prometem deixar a cozinha ‘num brinco’.