"Chegámos a um acordo com um consórcio liderado pelo Softbank e pela Dragoneer sobre um possível investimento. Acreditamos que este acordo é um forte voto de confiança no potencial da Uber a longo prazo", informou a empresa em comunicado, de acordo com o The New York Times.

A Softbank, que pertence ao multimilionário japonês Masayoshi Son, há vários meses que reiterava o seu desejo de investir na Uber. A empresa japonesa, matriz da Sprint, a terceira maior operadora norte-americana de telecomunicações, deseja recomprar as ações num procedimento financeiro conhecido como "OPA amigável", que tradicionalmente dura um mês; é então estabelecido um preço, mas os acionistas são livres para decidir se vendem ou não os seus títulos.

De acordo com a imprensa norte-americana, a Softbank deverá obter duas vagas na sua administração caso consiga adquirir 14% da Uber, o que fará com que, caso se confirme o negócio, se torne numa importante voz na tomada de decisões.

Escreve a Bloomberg que o negócio poderá ascender aos 10 mil milhões de dólares (8,57 mil milhões de euros).

Este investimento do grupo japonês é possível graças a um acordo entre Travis Kalanick, o fundador e ex-presidente executivo do Uber, e um influente fundo de acionistas da empresa, que concordaram em deixar as diferenças de lado.

O fundo californiano Benchmark apresentou uma queixa contra Kalanick para desafiar o seu domínio absoluto no conselho de administração, no qual este validava as estratégias e transações, assim como a nomeação e destituição do CEO. A disputa provocou o bloqueio de qualquer operação estratégica, como estava previsto pelo Softbank.

O acordo prevê que a Benchmark suspenda a ação, enquanto Kalanick vai permitir que a administração apresente o seu parecer, através de uma votação, entre os futuros administradores. Em caso de acordo definitivo entre Uber e Softbank, o Benchmark retira a denúncia.

A chegada do Softbank é uma boa notícia para a Uber, que tenta agora superar dos escândalos que abalaram a sua reputação nos últimos tempos, incluindo várias alegações e acusações de assédio sexual dentro da empresa. Será também um bom momento para estabelecer novas normas internas.

A Uber deseja ampliar o seu conselho de administração para que este fique mais plural e, ao mesmo tempo, Kalanick mantenha o seu lugar, apesar de ter deixado a presidência em junho.

O acordo também pode significar o início oficial de um possível entrada na bolsa — algo que está previsto acontecer até 2019. Dara Khosrowshahi, o novo CEO, estabeleceu como prazo para entrada na bolsa entre 18 e 36 meses após ter chegado à Uber.

Por: Luc Olinga

(Notícia atualizada às 11h30)