Um mistério antigo foi resolvido com experiências que revelaram como os laços dos sapatos se desfazem quando estamos em movimento, explicaram cientistas americanos esta quarta-feira. "A falha do nó acontece numa questão de segundos, muitas vezes sem aviso, e é catastrófica", relataram os cientistas na revista Proceedings of the Royal Society A. Os investigadores da Califórnia, Estados Unidos, usaram a expressão "catastrófica" num sentido técnico de colapso total: assim que o afrouxamento do nó começa, não há como detê-lo. Milhões de atacadores desapertam-se todos os dias, mas a mecânica desse processo nunca tinha sido examinada minuciosamente.

Para resolver o enigma, um trio de engenheiros mecânicos da Universidade da Califórnia em Berkeley filmou um nó - no sapato de um dos investigadores enquanto este corria numa passadeira - a desfazer-se em câmara lenta. As imagens sugerem um ataque duplo à integridade do nó. "Ao correr, o pé atinge o solo com uma força sete vezes maior do que a da gravidade", disse Christine Gregg, estudante de Pós-Graduação e co-autora do estudo. O nó fica lasso em resposta a essa força, e as pernas em movimento aplicam uma força adicional nas extremidades dos cordões.

"Um duplo golpe de forças, de pisar forte e chicotear, atua como uma mão invisível, soltando o nó e, em seguida, puxando as pontas livres dos atacadores até que a coisa toda se desfaz", explicaram os investigadores em comunicado. Testes de seguimento com uma perna mecânica mostraram que alguns laços eram melhores do que outros, mas nenhum era imune a falhas. Dos dois nós mais usados ​​para atar sapatos, um é "fraco" e o outro "forte", revela o estudo. A versão forte é baseada num nó quadrado, que é mais simétrico, enquanto o chamado nó "falso" torce quando é apertado, em vez de ficar assentado. Ambos falham da mesma maneira, mas um demora mais do que o outro. "Nós pudemos mostrar que o nó fraco falhará sempre, e o nó forte falhará numa determinada escala de tempo", disse Oliver O-Reilly, professor cujo laboratório dirigiu as experiências. "Mas ainda não entendemos por que razão existe uma diferença mecânica fundamental" entre eles, acrescentou, lançando outro mistério a ser resolvido.