Num país em que uma fatia significativa da população tem menos de 18 anos, o papel dos jovens é reforçadamente determinante. Angola é esse país. Luís Victorino, presidente da Associação de Estudantes Angolanos em Portugal explica ao SAPO 24 que “os jovens angolanos olham com muita expectativa para estas eleições”. É que este sufrágio representa “o amadurecimento da democracia em Angola, renovação ou não nos partidos, na liderança das instituições angolanas e, por último, contribui para a consolidação da paz e o desenvolvimento social”.

E indica as áreas em que o próximo presidente da República de Angola deve investir: “educação, saúde, segurança e crescimento social e económico, para cada vez mais Angola ser um país próspero.”

Apesar disso, este ou aquele governo não são a razão por que os jovens angolanos escolhem Portugal para seguir os estudos. “Os jovens optarão por estudar mais em Angola não em função de um novo ou velho governo, mas em função da contínua melhoria da qualidade de ensino que se verificar e também nas oportunidades de acesso a diversidades nas especializações nos diferentes graus académicos”, diz por e-mail.

A falta de diversidade é, aliás, uma das razões que os traz até cá: “Apesar de que o ensino em Angola tem tido um crescimento e melhorias nos últimos anos, ainda continua com um défice na diversidade de especializações, em particular nos mestrados e doutoramentos”.

É aqui que entra Portugal. “Os jovens angolanos escolhem preferencialmente Portugal para dar continuidade aos seus estudos porque Portugal tem melhor facilidade na adaptação”, quando comparado com outros países. A culpa é “da língua e da relação histórica entre os dois países”, aponta o presidente da AEA-Portugal.

A juntar a isso, os jovens angolanos vêm a Portugal à procura de “novas experiências e enriquecimento do percurso académico”.

Depois disso, o desejo é “terminar os estudos, ter a oportunidade de conseguir o primeiro emprego em Angola, conseguir um apartamento nas centralidades que têm sido construídas por todo o país, ter um sistema de saúde com mais qualidade, ter acesso às mínimas condições para começar a organizar a vida fora da casa dos pais”.

Afinal, estamos mais próximos do que podemos imaginar. E essa proximidade mostra-se noutros detalhe: a Universidade Aberta, instituição de ensino superior pública portuguesa, por exemplo, “tem estabelecido e estreitado relações de cooperação com diversos parceiros angolanos, em particular através de projetos de ensino e educação para o desenvolvimento”, explica Carla Padrel de Oliveira, vice-reitora da Universidade Aberta.

“Angola continua a ser uma prioridade estratégica da Universidade Aberta, que se tem materializado em projetos educativos e de atualização de conhecimentos em áreas como a saúde tropical e os cuidados primários de saúde, a sustentabilidade ambiental e outros programas de formação para quadros superiores da administração pública”, diz numa mensagem enviada ao SAPO 24.

“Em nome do património histórico e cultural procedente da partilha de uma língua comum, a Universidade Aberta aposta na manutenção e no aprofundamento das relações estabelecidas com Angola, numa perspetiva de construção de um mundo melhor, mais estável e democrático”, conclui.

É certo: a educação é sempre vista como a base do progresso, da construção de uma democracia sólida. Os analistas ouvidos pelo SAPO 24 sublinham-no: o próximo presidente angolano tem de se concentrar nas reformas – da saúde, do sistema bancário, do aparelho de segurança. E da educação.

SAPO 24 procurou, ao longo das últimas semanas, ouvir a representação da República de Angola em Portugal. Todavia, apesar da insistência, a resposta foi sendo sucessivamente adiada, não tendo sido possível obtê-la até ao momento.