O que sabemos sobre o tiroteio em Paris:

  • Um polícia morto e dois feridos
  • O atirador que disparou sobre os polícias foi também abatido
  • Campos Elísios interditados à circulação
  • As estações de metro da Linha 1, George V, Roosevelt e Champs-Elysées-Clémence estão fechadas.

De acordo com a informação oficial do Ministério do Interior francês, um polícia morreu e dois ficaram gravemente feridos durante o ataque desta noite na avenida principal da capital francesa, os Campos Elísios. O Ministério confirma também que um atacante foi abatido pelas forças de segurança.

"Pedimos a todos os moradores para evitarem a área dos Campos Elísios para permitir à polícia conduzir operações em serenidade" indicou o porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet. A polícia está a recolher depoimentos de várias testemunhas que se encontravam presentes no momento em que teve lugar o tiroteio e procura validar se existe ou não um segundo atacante em fuga. O porta-voz sublinhou que não existe uma ameaça específica nos Campos Elísios, apesar de ser aqui o epicentro desta noite, mas sim uma ameaça global muito elevada.

De acordo com este responsável, o ataque teve lugar pouco antes de 21 horas (hora francesa, menos uma hora em Portugal). Um veículo parou em frente ao carro da polícia estacionado junto ao número 102 dos Campos Elísios. Um atacante saiu e abriu fogo imediatamente, atingindo um polícia e ferindo outros dois. Outros polícias responderam ao ataque, abatendo o atacante.

"A identificação do agressor não foi estabelecida com precisão e clareza. Não podemos excluir que haja um ou mais cúmplices que possam ter participado de uma forma ou de outra neste ataque", tinha afirmado Pierre-Henry Brandet. Notícia acabada de chegar às redações, da agência Lusa citando a Associated Press, adianta agora [22h38] que as autoridades dizem que o autor do ataque aos polícias nos Campos Elísios, em Paris, estava identificado como extremista, referindo que o homem aparentemente atuou sozinho.

A justiça francesa já confirmou que o gabinete de contra-terrorismo vai abrir uma investigação aos acontecimentos desta noite em Paris. Segundo o le Figaro, o primeiro-ministro Bernard Cazeneuve encontrou-se esta noite com o Presidente Hollande no Eliseu pouco antes das 22 horas (hora local, 21 horas em Portugal). Cazeneuve prestou homenagem à primeira vítima, através da sua conta no Twitter: "Homenageio o polícia morto nos Campos Elísios esta noite, os meus pensamentos estão com a sua família. Solidariedade para com os seus colegas feridos e parentes".

A agência Reuters tinha avançado, às 21h13 m de Lisboa (mais uma hora em França) com a notícia de novo tiroteio, numa nova localização, mas a informação não se confirmou e o Ministério do Interior veio inclusive clarificar que "não há mais nenhuma intervenção das forças de segurança nos Campos Elísios".

Numa comunicação realizada a partir dos Campos Elísios, o porta-voz do Ministério do Interior, Pierre Henry Brandet, disse que "as forças de intervenção continuam com o seu trabalho" e que as operações se irão prolongar ao longo da noite. Aos Campos Elísios continuam a chegar carrinhas da polícia e a área foi evacuada, tendo sido feitas revistas a várias pessoas que circulavam na área.

Uma fonte policial revelou à Reuters que havia dois atacantes e que uma testemunha no local viu um homem a sair de um carro e a disparar com uma metralhadora. Uma outra testemunha no local contou à estação de televisão francesa disse à estação BFM disse ter ouvido tiros a serem disparados e o corpo de um homem caído no chão. Conta a mulher, apenas identificada como Inês, citada pela Bloomberg.

O jornal francês Le Figaro adianta também que uma turista terá sido ferida de forma ligeira no joelho no decurso do tiroteio nos Campos Elísios, não tendo sido sido especificada a nacionalidade.

A porta-voz da polícia francesa, Johanna Primevert, disse à Associated Press que o atacante que atingiu o polícia que estava de serviço junto à estação de metro Franklin Roosevelt. Na sequência do ataque, foram fechadas três estações de metro da Linha 1 da capital frances: George V, Roosevelt e Champs-Elysées-Clémence.

Os tiros ocorreram na esquina de um restaurante conhecido, o Fouquet, próximo da loja Yves Rocher, no número 102 dos Campos Elísios.

Paris é esta noite uma cidade em alta tensão, como atestam as imagens que nos chegam da capital francesa:

As autoridades francesas começaram, inicialmente, por dar conta de uma intervenção policial nos Campos Elísios, numa das principais avenidas de França.

Pouco tempo depois a polícia voltou a utilizar o Twitter para pedir aos cidadãos que evitem aquela zona da cidade.

Um jornalista da publicação francesa do Le Fígaro partilhou na sua conta do Twitter uma foto e um vídeo do local:

Segundo a Reuters a operação policial está a ser acompanhada por meios aéreos.

França a votos no próximo domingo

"Os meus pensamentos estão com o polícia morto, e o seu colega ferido. Todo o meu apoio para com as agências de que lutam contra o terrorismo", escreveu o candidato socialista Benoît Hamon, na rede social Twitter.

Também a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen já se pronunciou sobre o ataque, afirmando a sua "emoção e solidariedade" com as forças de segurança "que foram novamente atacadas":

O candidato da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon reagiu também ao ataque, dizendo que os seus pensamentos estão com as famílias do polícia morto e dos polícias feridos.

Desde 2015, os ataques jihadistas em França causaram já 238 mortes.

No próximo dia 23, domingo, a França realiza a primeira volta das eleições presidenciais com onze candidatos: Marine Le Pen, Emmanuel Macron, Jean-Luc Mélenchon, François Fillon, Benoît Hamon, Nathalie Arthaud, Philippe Poutou, François Asselineau, Nicolas Dupont-Aignan, Jacques Cheminade e Jean Lassalle. A segunda volta é a 7 de maio.

É a primeira que, na história da Quinta República, que as eleições presidenciais se vão realizar com o país sob estado de emergência, introduzido no país desde o dia 13 de novembro de 2015.

Nota editorial: Ao longo da noite têm surgido informações contraditórias sobre os acontecimentos em França que temos procurado acompanhar a par e passo no SAPO 24 através das principais agências noticiosas e dos meios de comunicação franceses. Face à incerteza das informações, corrigimos neste artigo algumas das informações prestadas, sendo que chamamos a atenção dos leitores para duas em particular pela sua gravidade: a notícia da morte de um segundo polícia foi avançada por vários meios de comunicação internacionais tendo sido posteriormente rectificada pelo Ministério do Interior francês que, à hora que esta nota é escrita, refere um polícia morto e dois gravemente feridos; a agência Reuters, avançou com a possibilidade de um segundo tiroteio, que não se veio a confirmar.