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Dados divulgados hoje pelas investigadoras da Escola de Psicologia da Universidade do Minho (UM) Andreia Machado e Marlene Matos indicam que apenas 10% dos homens vítimas contam à polícia o que estão a passar, contra 26% das mulheres.

Apenas 23% recorrem a um serviço de apoio, contra 43% das mulheres e apenas 11% relatam a situação a um profissional de saúde (23% de mulheres), adiantam os dados apresentados no seminário "Os novos desafios de combate à violência doméstica e de género", promovido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

Segundo Andreia Machado, a maioria dos homens envolvidos nas amostras dos estudos não procura ajuda por “não se reconhecer como vítima”, pela “vergonha e pela crença que o sistema de apoio não vai estar disponível e não os vai ajudar”.

Os que procuraram ajuda formal classificaram-na como inútil, principalmente a que foi dada pelo sistema de justiça e pelos serviços de apoio.

Consideraram a ajuda dada pelos profissionais de saúde, em 50% dos casos, útil, mas maioritariamente foi a ajuda informal aquela que foi classificada como mais útil.

Contaram também que “se sentem revitimizados quando procuram ajuda”, adiantou a investigadora Marlene Matos, que considera que estes dados merecem ser refletidos.

“Apesar de termos uma lei neutra em termos de sexo os homens continuam ainda invisíveis ao nível da sociedade, pela rede de apoio e nas campanhas de prevenção”, lamentou Andreia Machado.

Segundo as estatísticas criminais, uma em cada quatro vítimas de violência doméstica é homem.

No ano passado foram apresentadas 26.500 queixas, das quais 15,4% foram reportadas por homens vítimas de violência doméstica.

“Os dados revelam que as mulheres também matam”, salientou Andreia Machado, sublinhando que tem vindo a assistir-se “a um aumento de condenações de mulheres”.

Mas é preciso perceber que números são estes e as razões que estão por detrás deste fenómeno, defendeu, acrescentando ser também necessário entender se os homicídios dos homens cometidos pelas mulheres foram em legítima defesa ou se se deveram a “algum tipo de perturbação mental”.

Tal como as mulheres, os homens são vítimas de violência psicológica, física e sexual, sendo que 93,4% dos participantes nos estudos relatam o impacto negativo que esta situação tem na sua vida, a nível da saúde psicológica, na relação com os outros e no âmbito profissional e a académico.

Também à semelhança do que acontece com as mulheres, os homens mantêm-se na relação por amor, na esperança que a parceira mude e pelo desejo de manter a sua vida familiar.

Segundo as investigadoras, apesar de Portugal ter feito “um longo percurso no combate à violência doméstica”, fruto dos planos nacionais criados desde 1999 e de uma lei bastante avançada comparada com outros países europeus, os números de violência doméstica são elevados.

“Continuamos a assistir a um número elevado de participações criminais e de homicídios conjugais”, estimando-se que Portugal gasta cerca de 2,5 milhões de euros com a violência na intimidade, disse Andreia Machado.

Para a investigadora, são “custos muito elevados”, não só para as vítimas, mas para todas as entidades que tentam combater e erradicar este fenómeno.

Marlene Matos alertou para o “tratamento diferencial” que é dado aos homens e mulheres vítimas, apontando casos como o de homens que ligam para as linhas de apoio de violência doméstica e que lhes dizem que não atendem homens e que têm que recorrer a outra instituição.

O relatório Gender-Based, realizado pela Comissão Europeia e lançado em novembro de 2016 com cerca de 28 mil entrevistas residentes nos 28 países da UE revelou que a maior parte dos entrevistados considera que a violência doméstica é mais comum contra as mulheres do que contra os homens.

Em relação a Portugal os dados revelam que 93% dos participantes portugueses consideram comum a violência doméstica contra as mulheres e apenas 24% consideram que a violência contra os homens é comum.