A chegar a Xangai, ainda no avião, é hora para tomar o pequeno-almoço (horário da Europa) mas que servirá na realidade de brunch (horário da Ásia), porque hoje não haverá almoço, essa hora já passou! Na viagem foi possível ir optando por gastronomia ocidental ou asiática, mas a minha costela da Beira Alta foi sempre optando pela ocidental.

Para ir até ao hotel no Campus da Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB) há três opções. Uma muito barata com a combinação (Maglev e Metro), uma normal (taxi) e a terceira que é a exigente (motorista privado). Apenas com a última se pode negociar o valor da viagem, mas são aceites cartões de crédito. Com o táxi convém não entrar em opções "free-lance" (não confundir com Didi, a Uber da China).  O Maglev e Metro estão bem organizados e com informação acessível.

[Não sabe o que é o Maglev? É normal, trata-se de uma forma de transporte inovadora e a única linha comercial existe aqui, em Xangai. Maglev, segundo definição da Wikipedia, é "um comboio de levitação magnética, um veículo semelhante a um comboio que transita numa linha elevada sobre o chão e é propulsionado pelas forças atrativas e repulsivas do magnetismo através do uso de supercondutores".]

No Campus CKGSB já se fala português! Não com a minha chegada, já que fui o último a chegar, mas com o Paulo Lima de Carvalho, Miguel Nogueira, Cady Bocum e Miguel Braz. Nos próximos dias, apresentarei a "Armada Portuguesa" (ou seja, nós, os portugueses do grupo).

Um olhar rápido para o programa e vejo que tem ingredientes muito interessantes, desde logo os docentes da CKGSB. Uma colega que foi "founder" da Silk Ventures, visitas e reuniões às sedes da Fosun, China Accelerator, DOBE Group, Alibaba, Tencent ou 3nod Group entre outros eventos.

A "Armada Portuguesa" foi jantar e preparar o dia de amanhã, que começa às 8h30am. Já não tinha aulas a esta hora desde o ensino secundário. Hora de rever as apresentações que nos pediram para prepararmos oportunidades identificadas. Tempo também de preparar o guarda-roupa, porque se em Silicon Valley seria uma semana à base de jeans e uma t-shirt, na Europa camisas e casaco, aqui será de fato. O dress code na generalidade é mais formal, esta é uma business school e acresce que amanhã é dia de "foto oficial". Quem já veio à China compreende a importância e relevância de se registar os eventos com fotos oficiais.

Outra nota de que certamente já ouviram falar: aqui entregam-se os cartões de negócios com alguma cerimónia, com as duas mãos e com atenção para o que está escrito (ainda que não saibamos ler). Se houver um momento para brindar, fazê-lo de modo a que o nosso copo esteja ligeiramente abaixo, não ao mesmo nível ou por cima, do copo do anfitrião.

Este dia de chegada é um dia que deve servir sobretudo para descansar para que o trabalho comece com toda a energia. Há que aproveitar a oportunidade, preparar a documentação necessária e verificar as ferramentas digitais que estamos habituados a usar na Europa, que sem VPN não vão funcionar. Na China não temos acesso ao Facebook, Twitter, Gmail ou Drive (nada da Google), entre outras extensões nos browsers. Por outro lado, o seu equivalente existe. Chama-se Baidu, QQ, WeChat, Yoku, mas o mais relevante é ter tudo preparado para saber com o que podemos contar ou não. O LinkedIn ou Skype são exemplos do que funciona dentro e fora da China, este é um dos ensinamentos do mundo digital, verificar sempre se a nossa tecnologia, no mundo digital, está ou não acessível a Oriente. Por exemplo, consigo aceder ao SAPO 24, mas não aos comentários dos artigos.

Até breve.

Durante uma semana, Alexandre Pinto está a participar num programa para emprendedores promovido pela Cheung Kong Graduate School of Business. A viagem, o programa e a experiência vão ser relatados aqui no SAPO 24 dia a dia.

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