• Coisas elevadas como o talento
    Coisas elevadas como o talento
    Não acredito na reencarnação. De todo. Nem acredito na possibilidade de falarmos com os que já morreram. De todo. Mas acredito no uso estilístico da contradição, e é por isso que vou começar a relatar uma espécie de reencarnação, para depois me esvai
  • “É a estupidez, estúpido!”
    “É a estupidez, estúpido!”
    “Burro não é o que não sabe, é o que não quer saber”. Tenho pouca certeza se estou a citar correctamente o provérbio, mas fi-lo com um não-saber honesto - típico daqueles que, segundo o mesmo provérbio, não são os verdadeiros burros. Este ditado popu
  • Sem moderação
    Sem moderação
    Certo amigo que escrevia crónicas quinzenais revelou-me a sua angústia. Havia um nervoso (em nada miudinho) que o atacava na semana anterior à entrega dos artigos de opinião. Encontrar um tema que o determinasse a escrever era motivo de insónias e fa
  • Um olho nos burros, outro na cigana
    Um olho nos burros, outro na cigana
    Já vi tantas vezes o filme “A Desaparecida” do John Ford, e sei-o tão ao pormenor, que tenho de conter-me para não estar constantemente a citá-lo, ou usá-lo em analogias, ou torná-lo introdução para os assuntos em que reflicto. Como podem perceber, a
  • Belisquem-me
    Belisquem-me
    Donald Trump Junior vai ser representado por um advogado da máfia nas alegações de interferência russa no processo eleitoral americano. Não foi fácil redigir a última frase mantendo a seriedade que o assunto exige. Parece ficção, daquela exagerada e
  • Não nos faltes, silly season
    Não nos faltes, silly season
    2017 é o ano em que os portugueses chegam a Julho a precisar mais duma silly season do que de férias. O ano em que o ambiente iodado da praia, o ar puro do campo, são menos salutares que telejornais a abrirem com ninharias: festas do bivalve ou escal
  • 1, 2, 3, teste
    1, 2, 3, teste
    Anuncio para hoje uma intervenção tripartida, entre curtas justificações e desabafos. Há duas semanas escrevi aqui, e mal – não posso deixar passar em claro. Na semana passada não escrevi aqui, e menos mal – deixei passar em claro; não posso. Na próx
  • Santo António não se acabou
    Santo António não se acabou
    Há 33 anos e 1 dia morria o António Variações. Lembro-me como se fosse anteontem. Eu era bem pequenino, mas o Variações era bem grande; impensável  esquecer-lhe a vida, impossível esquecer-lhe a morte. Por muito que Portugal ainda fosse um país de me
  • Decadência
    Decadência
    Algures em Lisboa há um bar de aspecto tão clandestino e decadente que, sendo certa a decadência, é provável a clandestinidade. Por isso abster-me-ei de lhe referir o nome – mas não para adensar qualquer mistério. De mistérios e encantos precisa pouc
  • A nova vaga (ideia) da música portuguesa
    A nova vaga (ideia) da música portuguesa
    Fui ao Prós e Contras. Esta informação não parecerá contundente ao estimado leitor, mas só porque o estimado leitor ou nunca foi ao Prós e Contras ou, quando lá esteve, sabia o que andava a fazer. Eu tinha vaga ideia daquilo a que ia, agora tenho só
  • Licença para matar caducada
    Licença para matar caducada
    Proponho o seguinte exercício: fechem os olhos e imaginem que o Brad Pitt está aí à vossa frente em tronco nu. Não se apoquentem que não há um pingo de perversão nisto que sugiro, e o objectivo até é, digamos que, científico. A segunda parte desta ex
  • Dos grandes
    Dos grandes
    De que se faz a História de Portugal? Num país, ora à beira-mar plantado, ora à deriva (pelos vistos, nem para lugares-comuns há consenso) onde é que se faz História hoje em dia? É neste momento particular, de optimismo e celebrações, que me interess
  • É um programa sobre nada
    É um programa sobre nada
    Não sei forjar assinaturas — exceptuando a minha própria (sempre com ar falsificado quando me colocam a pressão de escrevê-la “como no B.I.”) — mas sou mestre a forjar indignações. Este parágrafo é o duma indignação forjada, uma irritação fácil de de
  • Monólogo contra o monólito
    Monólogo contra o monólito
    Não sei se os blogues ainda são relevantes, ou se foram mortos pelo Facebook (da mesma forma que o video matou a radio star, como na canção dos Buggles), mas lembro-me que há uma década ainda eram “a cena”. Fui um blogger desconhecido, embora com o p
  • 25 de Abril nunca mais
    25 de Abril nunca mais
    Hoje estamos no rescaldo do 25 de Abril, tanto o hoje específico do 26 de Abril de 2017 como o Hoje do Presente, o hoje que foram todos os dias dos últimos 43 anos.
  • Iznogoud
    Iznogoud
    O mundo está descarrilado e incerto, um pouco ao contrário das marchas militares em Pyongyang. Essas são paradas espectaculares, coreografadas ao pormenor, sincronizadas ao milímetro e ao segundo. Estava a vê-las num noticiário e a deixar-me hipnotiz
  • Os últimos serão os primeiros
    Os últimos serão os primeiros
    Tenho uma capacidade muito falsa de me surpreender com o meu país. A ruralidade, sobretudo, surpreende-me duma forma falsa. O maravilhamento é genuíno, mas a surpresa que o aumenta é falsa.
  • Recordar é viver. Não recordar também
    Recordar é viver. Não recordar também
    Isto é um espaço de opinião, mas hoje pretendo que seja um espaço de memórias. Ou, melhor, da falta delas. É que as opiniões são (por definição) subjectivas, e as memórias não deixam de sê-lo também – filtradas, revisionadas, selecionadas e (sabe-se
  • Legs-it para que te quero (?)
    Legs-it para que te quero (?)
    Havia tanto para não se dizer sobre o Brexit. É um assunto que tenho evitado, nem sei se pelo desalento se pelos contornos xaroposos do fim duma relação. Mas acho que é isto que me irrita e mantém calado sobre o assunto: a demasiada facilidade com se
  • Big Bang Berry
    Big Bang Berry
    “Roll over Beethoven and tell Tchaikovsky the news” é um refrão, é a frase mais rock ‘n’ roll de sempre e é, talvez, a maior profecia que alguma vez se acompanhou à guitarra eléctrica. “Roll over” – uma ordem que simultaneamente significa “afasta-te
  • O som clássico das figas
    O som clássico das figas
    “Português indignado” são sinónimos ou uma redundância? É lugar-comum ou é comum estar-se neste lugar? É da nossa natureza sermos indignados, ou é a natureza das coisas que assim, inevitavelmente, nos torna.
  • Um Oscar, dois Oscar, três Oscar – parte 2
    Um Oscar, dois Oscar, três Oscar – parte 2
    Não é altura de falar sobre os Oscar porque a poeira já assentou. O glitter já assentou. A vergonha alheia já migrou para qualquer outro escândalo mediático. Mas a verdade é que as grandes reacções à cerimónia de 2017 não são aquelas que, durante 3 o
  • Um Oscar, dois Oscar, três Oscar – parte 1
    Um Oscar, dois Oscar, três Oscar – parte 1
    É quarta-feira. Gostava muito de já não trazer na ponta dos dedos esta vontade de escrever sobre a última madrugada de domingo para segunda. Na verdade, eu queria mesmo era deixar de escrever de todo sobre os Oscar, porque afinal é quarta-feira e é 2
  • Smells like crónica adolescente
    Smells like crónica adolescente
    Esta semana tem-se assinalado o 50º aniversário do nascimento de Kurt Cobain. Contamos com o verbo no condicional, os 50 anos que Kurt “faria”. Os fãs deixam passar o condicional, ajuntam-se a assinalar meio século, mas no fundo sabemos que a contage

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