O Novo Atlas da Língua Portuguesa, recém-públicado pelo Instituto Camões em parceria com o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, aponta para um aumento substancial de falantes da língua portuguesa no futuro. Segundo estimativas das Nações Unidas, seremos 387 milhões até 2050 e 487 milhões até o final do século, graças ao crescimento populacional de Angola e Moçambique. Esse dado indica uma possível mudança na forma como a língua portuguesa poderá ser vista no futuro e – mais importante – ilustra a transformação à qual estão sujeitos os idiomas falados em todo o mundo.

Na antiguidade, o grego, e na idade média, o latim, prevaleciam como línguas mais faladas em níveis culturais e comerciais. Na modernidade, o francês tornou-se o idioma preponderante na Europa nos séculos XVII e XIX. Há cerca de 50 anos, ainda recebia mais importância nas escolas do que a língua inglesa, que se afirmou como a grande língua universal na segunda metade do século XX. Hoje, na eminência do Brexit e quando se discute a posição dos EUA como guardião do mundo livre, não é certo o papel de futuro da língua inglesa no contexto europeu e mundial.

Atualmente, o inglês ocupa a 3ª posição num ranking de línguas mais faladas no mundo. Com 335 milhões de falantes, está atrás do espanhol (414 milhões) e do Mandarim (848 milhões). Embora a procura pela língua chinesa tenha aumentado nos últimos anos em razão do “boom” económico do país, diversos especialistas defendem que o mandarim não é uma “ameaça” à língua inglesa apenas pelo seu número de falantes. Isto porque, enquanto o mandarim é predominantemente uma língua materna, o inglês é aprendido por milhões de pessoas à volta do mundo, independente da sua origem. Ou seja, não se deve classificar um idioma apenas pelo número de falantes, mas pela sua abrangência cultural.

O português vem logo atrás do inglês, como 4ª língua mais falada no mundo, com 261 milhões de falantes oriundos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O facto de Portugal estar a afirmar-se como uma das principais capitais europeias na área de tecnologia e existirem falantes do idioma em todos os continentes, só aumenta o potencial da nossa língua para se fortalecer num futuro não tão distante. Por outro lado, esta expansão também passa pela exportação da produção cultural dos países lusófonos, sendo a tradução e a distribuição partes importantes deste processo.

Mas, falando do presente, em que língua é melhor investir hoje em dia? Embora o inglês venha logo à cabeça como idioma obrigatório, a resposta para essa pergunta pode ser muito pessoal e depende dos objetivos académicos e profissionais de cada um. Na opinião de especialistas, o inglês é indispensável, pois é a língua na qual está publicada a maior parte da produção científica mundial.  Ou seja, quem fala inglês tem oportunidade de aceder a muito mais conteúdos nas diversas áreas do conhecimento. Neste caso, a decisão mais difícil é a escolha do terceiro idioma –aquele que pode abrir portas e levar ainda mais longe, tornando-se diferenciador no currículo.

Aqui ficam algumas dicas dos idiomas mais relevantes em cada área do conhecimento, de acordo com fatores como bibliografia e mercado de trabalho:

Italiano: Design, Moda, Direito Penal e Direiro Civil;

Francês: Diplomacia, Direito Público, Moda, Comunicação, Filosofia, Gastronomia;

Mandarim: Gestão;

Espanhol: Ciências Sociais, Comunicação, Arquitetura;

Alemão: Engenharia Mecânica e de Automação;

Japonês: Novas tecnologias.

Este artigo foi feito em parceria com a Book in Loop.

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