Numa nota colocada no website da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa esclarece que "tomou conhecimento da fuga de informação de dados privados, devida a intrusão ilegal de registos da TAP Air Portugal, por um cidadão que a eles tivera acesso".

"Imediatamente [o PR] tomou algumas precauções quanto ao único dado que não era generalizadamente conhecido: o endereço digital. Quanto ao resto – nome completo, data de nascimento e residência – já existia esse conhecimento", refere ainda a nota.

Os dados pessoais dos clientes da TAP divulgados pelo grupo de cibercriminosos Ragnar Locker, que atacou a companhia aérea em agostos, vão do nome, morada, ‘e-mail’, data de nascimento até data de registo e número de passageiro.

A nota de Marcelo Rebelo de Sousa é emitida depois do semanário Expresso ter adiantado que os dados de António Costa, primeiro-ministro de Portugal, e André Ventura, deputado e líder do Chega, estão também entre os cerca de 1,5 milhões que o grupo de hackers divulgou na dark web.

O líder do governo terá visto ser colocada na dark web uma morada antiga e um email de uma colaborada, ao passo que André Ventura teve o número de telemóvel e o email exposto.

Os nomes de Marcelo, Costa e do líder do Chega são assim os mais sonantes, mas há outros que viram informações pessoais expostas.  "Da lista constam também os dados de deputados e ex-deputados, como Edite Estrela, Jamila Madeira, Joana Mortágua, José Cesário, José Silvano, Paulo Portas, Alexandre Quintanilha ou Susana Amador", escreve o jornal

Alguns membros das forças de segurança portuguesa também foram afetados neste ataque informático, como Rui Clero, comandante-geral da GNR, e Adélio Neiva da Cruz, diretor do Serviço de Informações de Segurança (SIS), que viram publicados o email, morada e o número de telemóvel e o email.

Ainda de acordo com o que revelou o Expresso, a lista conta ainda com quase 300 emails com domínio ‘gov.pt’.

Estes elementos, a serem confirmados, contrariam assim o comunicado da TAP, no final de agosto. “Não foi apurado qualquer facto que permita concluir ter havido acesso indevido a dados de clientes”, lia-se na altura.

A TAP revelou entretanto que os dados atacados são "nome, nacionalidade, sexo, data de nascimento, morada, e-mail, contacto telefónico, data de registo de cliente e número de passageiro frequente”.

A companhia aérea indicou que a informação divulgada relativamente a cada cliente pode variar, reiterando que “não há indícios de que dados de pagamento tenham sido exfiltrados dos sistemas”.

O Ministério Público já confirmou a abertura de um inquérito ao ataque informático à TAP