O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros desloca-se a Maputo de 19 a 21 de janeiro, "em representação do alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, para “contactos políticos de alto nível com as autoridades moçambicanas", referiu em comunicado o Governo português.

"Esta deslocação surge na sequência do pedido de reforço da cooperação que Moçambique dirigiu à União Europeia, em setembro passado, relativo à situação de segurança na província de Cabo Delgado", acrescentou a nota do Palácio das Necessidades.

Em resposta a questões da agência Lusa sobre a missão, um porta-voz comunitário afirmou na segunda-feira que “a UE está a acompanhar de perto a persistente e destrutiva violência armada no norte de Moçambique, reconhecendo as graves consequências humanitárias e a ameaça de alastramento regional”.

“Estamos prontos a apoiar o Governo de Moçambique e iremos discutir as opções concretas nos próximos diálogos políticos e políticos, bem como em reuniões técnicas. Estamos naturalmente prontos a trabalhar de perto com os nossos parceiros africanos, e em particular com a SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral], a fim de assegurar uma abordagem coerente e coordenada”, acrescentou a mesma fonte.

De acordo com o porta-voz, o Governo de Moçambique e a UE “abriram um diálogo político, com enfoque nas questões humanitárias, de direitos humanos, de desenvolvimento e de segurança em Cabo Delgado”.

O alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, afirmou na semana passada à agência Lusa que a missão da UE a Moçambique estava prevista para esta terça-feira, estando, então, apenas dependente da autorização final de Maputo.

O chefe da diplomacia europeia tinha anunciado em dezembro ter pedido a Santos Silva que se deslocasse a Moçambique como seu enviado para abordar com as autoridades locais a situação em Cabo Delgado, palco da violência armada atribuída a grupos extremistas islâmicos.

O vice-presidente da Comissão Europeia apontou o treino e equipamento militar, a ajuda humanitária às populações deslocadas e, eventualmente, missões de vigilância costeira como eventuais áreas da cooperação europeia.

A escolha de Santos Silva acontece numa altura em que Portugal assumiu a presidência do Conselho da UE, em 01 de janeiro, e que se estende até 30 de junho de 2021.

A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico desde 2019.

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