Desde o ano passado que se têm intensificado as queixas de moradores pelas largas dezenas de autocaravanas que parqueiam junto a vivendas da zona nascente de Altura e numa área de terra batida perto das dunas, com falta de condições de higiene e pernoitando no local, o que deveria ser feito, segundo os residentes, só em zonas próprias e adaptadas para o efeito.

Os autocaravanistas não têm no local acesso a água, eletricidade ou saneamento e não podem legalmente abrir toldos, colocar mesas fora ou exceder os limites do veículo estacionado, caso contrário ficam sujeitos a autos de contraordenação, movidos pelas forças policiais e encaminhados depois para as autarquias, que conduzem o processo até à aplicação de eventuais sanções, ao contrário de outros países da Europa, onde as coimas são imediatas.

João Neto veio do distrito da Guarda passar férias ao Algarve e parqueou a autocaravana em Altura, mas garantiu à agência Lusa que não tira mesas, não abre toldos nem incomoda moradores, pelo que “não se compreendem bem” as suas queixas, considerou.

“Esta é a velha regra de o justo pagar pelo pecador. Quando essas situações de pouco civismo acontecem, as pessoas devem ser punidas e já vi a GNR levantar autos a alguns, mas a maioria é respeitadora e cumpre as normas”, afirmou Carlos Abreu, outro dos autocaravanistas ouvido pela Lusa, lamentando a falta de parques próprios para estes veículos no Algarve.

Luís Amaro também parou a sua autocaravana em Altura e disse que os proprietários não têm razão, porque as autocaravanas “podem estar estacionadas como qualquer outro veículo, se não ocuparem zonas exteriores, o que acontece na grande maioria dos casos”, frisou.

Mas moradores como Rui Figueiredo e Rui Costa contrariaram esta versão, falando de “ruído na parte exterior dos veículos”, de “roubos de água e eletricidade das vivendas”, de descargas ilegais de lixo e resíduos e criticando a Câmara de Castro Marim por ainda não ter posto cobro a uma situação que os moradores dizem ter-se “agravado este ano”.

No ano passado, o presidente da autarquia, Francisco Amaral, garantiu que tinha “tolerância zero contra o autocaravanismo selvagem” e iria lançar ainda em 2016 obras para dois parques apropriados para estas viaturas.

A criação de “uma oferta integrada” de parques próprios e adaptados para receber estes veículos em Portugal é também uma solução defendida pela Federação Portuguesa de Autocaravanismo.

Francisco Amaral garantiu ainda que tudo iria fazer para “acabar definitivamente com esta situação”, mas um ano depois a zona continua com dezenas de autocaravanas e os moradores pedem uma solução para o problema.

“É coisa que demora o seu tempo, gostava de ter uma varinha mágica e de resolver de imediato tudo, mas o projeto demorou algum tempo a ser feito, tentámos arranjar fundos comunitários, mas não se conseguiu, vamos lançar o concurso para construção e exploração daquele projeto que nós fizemos, sobretudo para o parque de autocaravanismo de Altura”, justificou-se o autarca.

Questionado sobre quando o parque de autrocaravanismo de altura pode ser uma realidade, Francisco Amaral respondeu que prefere não definir prazos que depois podem não se cumprir.

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