Se no início desta época alguém nos dissesse que, com cerca de um terço da época regular já jogada, os Golden State Warriors já teriam dez derrotas e os Houston Rockets, que ficaram a uma vitória de chegar às Finais da última temporada, seriam penúltimos da classificação do Oeste, só tínhamos que escolher os insultos para atirar ao autor de tamanha barbaridade. Esses dois factos são capazes de nos deixar boquiabertos, mas a conferência Oeste tem sido capaz de surpreender com outros registos igualmente inesperados, mas sobretudo pela competitividade entre 14 das 15 equipas que a compõem. Nesta altura, apenas 5,5 jogos separam os Denver Nuggets (18 vitórias e 9 derrotas), líderes da classificação cujo sucesso já analisámos este ano, dos Houston Rockets (12v-14d), penúltimos da tabela classificativa. Ou seja, se exceptuarmos os Phoenix Suns (4v-24d), todas as outras equipas têm legítimas aspirações de chegar aos playoffs.

Catorze equipas a disputar oito vagas na fase a eliminar da temporada, incluindo onze com registo acima dos 50% de triunfos. Não há memória de algo assim na história da liga. O mais curioso é que é impossível enumerar as oito favoritas ou sequer escolher uma mão cheia de formações que, com o desempenho até esta altura, sejam equipas garantidas nos playoffs. Vamos fazer esse exercício? É mais ou menos consensual que os Warriors, mesmo que uma das suas estrelas sofra uma lesão, estarão nos playoffs. E para além dos campeões? Podemos dar o passaporte para a próxima fase a mais algum conjunto? Talvez os Oklahoma City Thunder (3.º, 17v-9d), que têm a melhor defesa da NBA, mesmo sem o contributo do ainda lesionado Andre Roberson. Talvez os Los Angeles Lakers (5.º, 17v-10d), porque nunca se deve apostar contra as equipas de LeBron James. E mesmo assim, nem por estas duas podemos meter as mãos no fogo.

Depois há os candidatos aos playoffs que estão a demorar demasiado a carburar. Já fizemos referência aos Rockets, que têm sentido no meio-campo defensivo as consequências da saída de Trevor Ariza e Luc Mbah a Moute, mas também os Utah Jazz (12.º, 14v-15d), que parecem ter desaprendido de defender, e os San Antonio Spurs (11.º, 14v-14d), definitivamente velhos e com um plantel desequilibrado. Apesar de estarem actualmente fora dos oito primeiros lugares, existe a convicção de que Rockets, Jazz e Spurs - sobretudo as duas primeiras - podem escalar na classificação à medida que nos aproximarmos do final da fase regular, em Abril do próximo ano. É, por isso, expectável que estas equipas, a par de New Orleans Pelicans (10.º, 15v-15d), Portland Trailblazers (9.º, 15v-13d) e até dos próprios Thunder e dos Lakers, venham a aparecer muito activas no mercado, até ao prazo permitido para trocas, em fevereiro.

Da mesma forma que se espera que as equipas mencionadas possam subir na classificação, é de prever que termine, mais cedo ou mais tarde, o estado de graça de algumas das boas surpresas da época. Os Los Angeles Clippers (4.º, 17v-10d), os Dallas Mavericks (7.º, 15v-11d) e os Sacramento Kings (8.º, 15v-12d) são as "feel good stories" da temporada e têm mais semelhanças que se poderia supor. Sem uma super-estrela a apropriar-se de uma grande fatia da massa salarial, há mais dinheiro para mais jogadores de qualidade, Clippers, Mavericks e Kings fazem do colectivo e da qualidade dos suplentes as suas armas. Os dois conjuntos da Califórnia têm os bancos mais produtivos da conferência Oeste (Dallas tem o sexto), numa rotação que pode chegar, sem quebras de rendimento, a onze ou doze atletas. Curiosamente, os finalistas do Oeste na época passada, Warriors e Rockets, têm dois dos três bancos menos produtivos da competição.

A história prova que, quando os playoffs chegarem, a profundidade do banco de suplentes vale menos do que valia na fase regular e menos ainda do que contar com uma (ou mais do que uma) super-estrela no plantel, mas, este ano, com catorze equipas na corrida por oito lugares, essa profundidade pode fazer a diferença entre estar e não estar nos playoffs. Uma equipa com mais soluções pode camuflar mais facilmente uma ou outra lesão que ocorra nos 82 jogos da época regular. E num ano em que todos os jogos contam, os treinadores terão maiores reservas em dar descanso às respectivas estrelas, especialmente no fim da época, sob risco de a sua equipa não se apurar para os playoffs ou dê um tombo na classificação. E até o tal passeio dos Warriors até ao "three-peat" pode ficar comprometido ou, pelo menos, sofrer alguns percalços pelo caminho, já que as adversidades que os campeões vão encontrar na fase regular e nas primeiras rondas de playoffs serão maiores do que esperavam.

Há, ainda, outros efeitos muito positivos desta insólita e alargada competitividade a Oeste. Com tantas equipas daquela conferência a terminarem a fase regular com registos vitórias-derrotas positivos ou perto disso, a probabilidade das primeiras "lottery picks" altas ficar no Este vai ajudar a equilibrar as forças da liga, já que os melhores "rookies" do próximo draft devem ser escolhidos por formações da conferência mais pobre. E - Adam Silver nos ouça - a hipótese de três ou quatro equipas do Oeste com mais de 50% de vitórias ficarem de fora dos playoffs pode ajudar a acabar com a relutância do comissário em alterar essa fase para um formato em que se apuram os dezasseis melhores registos, em vez dos oito melhores de cada conferência.

O silêncio dos profetas da desgraça (e as audiências televisivas a nível mundial) confirmam-no. Aconteça o que acontecer até final da época, o Oeste está selvagem e esta é uma das melhores fases regulares de sempre.

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