Cristina Lopes, portuguesa que esteve radicada durante muitos anos no Canadá e Jim Alred, ex-jogador da liga norte americana de hóquei no gelo (NHL), treinador profissional e atual selecionador da equipa nacional desta modalidade, vivem atualmente em Portugal.

Juntos têm um sonho: ter em Lisboa “uma pista de gelo permanente e oficial". A ideia “não é louca”, antecipa. E explica porquê.

Em primeiro lugar, por causa da diversidade de desportos que se praticam no gelo, para além do hóquei. Desde logo, “a patinagem artística e de velocidade, o curling, praticadas por vários atletas portugueses”, sustenta. São “desportos com representação nos Jogos Olímpicos”, reafirma, relembrando que o hóquei no gelo, o curling e o luge passaram, recentemente, para a alçada da Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP).

Depois, com Lisboa como Capital Europeia dos Desportos em 2021 “pode ser uma oportunidade” que “permitirá o “desenvolvimento das várias modalidades”.

A aposta, pode “partir de um clube que tenha várias modalidades e que seja um formador de jovens atletas, como o Sporting ou Benfica”, sustenta, dando o exemplo vindo de outras paragens. “O FC Barcelona tem uma equipa de hóquei no gelo e uma pista de gelo (Palau de Gel) , junto ao Camp Nou e registam lucro de 1 milhão de euros com a sua utilização”, anuncia.

Cristina Lopes acredita que o “sucesso e retorno seriam rápidos”. A começar pelas fontes de rendimento paralelas à própria pista, de “uma loja de equipamentos, restauração, e receita de bilheteiras”, até à “exploração do campo”, à semelhança do que se faz nos “clubes norte americanos de hóquei no gelo”.

Num patamar acima, coloca a possibilidade de Portugal, e Lisboa, acolherem competições internacionais, do “campeonato da Europa de Patinagem Artística” ao “Campeonato Europeu das Nações de Hóquei”. As possibilidades “são quase infinitas”, diz. “Como pode ver a ideia não é louca, muito antes pelo contrário, tem total cabimento”, reforça.

Da seleção nacional à equipa que participa na Liga andaluz

Para que essa ideia tenha pernas para andar, o sonho tem por base uma equipa de hóquei no gelo. Ou antes, duas. A seleção portuguesa e a Luso Lync, sendo que a segunda é composta por alguns jogadores que compõem a primeira, e quer a equipa que defende as cores nacionais, quer a única equipa nacional, são compostas por luso-descendentes, portugueses, estrangeiros que residem em Portugal e pela diáspora nacional espalhada pelo mundo. E têm ainda em comum o homem que as orienta: Jim Alred.

Jim abraçou o projeto de treinador de uma equipa de hóquei em linha (semelhante ao hóquei tradicional, mas jogada com patins em linha, em que grande parte das regras são adaptadas do hóquei no gelo bem como o equipamento - capacetes, sticks ou disco), na zona de Sintra, e “aplicou os seus conhecimentos para a transição (com sucesso) do hóquei em linha para o hóquei no gelo”, recorda Cristina Lopes.

“A tarefa não tem sido fácil”, diz, sublinhando “que não existe qualquer pista de gelo em Portugal permanente com dimensões oficiais”. A única que existe “é em Viseu (Palácio do Gelo), é pequena e fica num 3º andar de um centro comercial no meio da restauração”, desvenda.

Para contornar esta dificuldade treinam em “pavilhões nas localidades de Sintra e Murches para a prática continuada do hóquei em linha”, sendo que na época natalícia, que agora findou, “treinámos em algumas pistas de gelo temporárias, nomeadamente no Centro Comercial Dolce Vita Tejo”, avança. E se recuarmos um ano, a antiga Praça de Touros, atual Coliseu Comendador Rondão Almeida, serviu para treinar e organizar um torneio internacional quadrangular.

No caminho trilhado para a concretização do sonho do casal Cristina e Jim, os passos são dados paulatinamente e sustentadamente. À procura de grandes patrocinadores, vão contando com ajudas e donativos dos amantes da modalidade, em especial da diáspora portuguesa.

Durante 2017, “em apenas um ano”, nasceu a seleção nacional que participou em “dois torneios internacionais”. Um, em Granada, Espanha, e outro, “Development Cup 2017”, organizado e patrocinado pela Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF), que teve lugar em Andorra e que incluiu as seleções de Marrocos, Irlanda e a anfitriã Andorra, competição do qual “trouxemos a medalha de bronze”, recorda.

Mas o hóquei no gelo em Portugal não se resume à equipa de todos os portugueses. “Após convite da Liga da Andaluzia de hóquei no gelo, em Espanha, formou-se uma equipa portuguesa, “Luso Lynx”, com alguns atletas da seleção nacional para participar nessa mesma Liga”, explica.

Com os jogos disputados em Granada e as despesas de deslocação a recaírem “quase na totalidade no bolso dos jogadores”, após “concordância” das demais equipas “decidiu-se disputar dois ou três jogos em cada deslocação”, descreve. A próxima jornada (três jogos) é nos próximos dias 27 e 28 do corrente mês, sendo que o campeonato termina em maio de 2018. Assumindo ter “aspirações altas”, Cristina quer pelo menos que a equipa portuguesa atinja “a fase final de play-offs”.

Para além destas competições, na “mesa” estão “convites para dois torneios internacionais”, bem como a “possível deslocação de uma equipa feminina ao Canadá para um campo de treinos”, finaliza.

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