"Insustentável é o esvaziamento demográfico que se tem vindo a verificar ao longo dos últimos anos, que nos enfraquece como território e nos torna mais vulneráveis", afirmou António Henriques na apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais deste ano, em Castanheira de Pera, na presença do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, e outros membros do Governo.

"Ora, esse é outro problema na gestão das nossas florestas. Pedimos à nossa população, cada vez mais envelhecida, que mantenha os terrenos limpos, entre a multiplicação de prédios devolutos, sem zelo e, diria mesmo, quase sem dono", considerou António Henriques.

Para o autarca, não se pode "perpetuar um modelo de floresta em que os proprietários apenas se lembram do pinhal ou do eucaliptal na altura do corte".

Dirigindo-se ao ministro, o presidente da Câmara afirmou que "prevenir é também dar continuidade ao cadastro" rústico e florestal, "reforçar as campanhas de limpeza de matas e terrenos, responsabilizar os proprietários pela gestão das suas parcelas e criar modelos de gestão que privilegiem e apoiem os agentes e atores locais que pretendam investir e desenvolver atividades agrícolas e florestais".

"Para haver mais vida nestes territórios é preciso fixar mais gente, gente que cuide da floresta e dos recursos naturais. Mas para que estes territórios sejam, de facto, atrativos (...) não podemos viver no sobressalto do elevado risco de incêndios florestais", avisou.

Para o autarca, "tornar o território mais atrativo, mais seguro e mais resiliente significa alargar o âmbito de projetos como as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem ou do programa Condomínios de Aldeia, diversificar o mosaico florestal e valorizar a floresta autóctone, assim como descentralizar, regionalizar e territorializar as políticas de ordenamento e gestão das florestas, criando modelos de governança mais próximos e adequados à realidade do território".

Segundo o presidente da Câmara, "certamente que uma visão diferenciadora no planeamento, ordenamento e gestão deste território, com o apoio continuado do Governo no acesso a fontes de financiamento", o concelho conseguirá, "de uma forma estruturada, reverter o declínio demográfico".

"Queremos um território mais resiliente à ocorrência de grandes incêndios florestais e mais bem preparado para as consequências das alterações climáticas, consubstanciado em ações e práticas individuais e coletivas eficazes, também pelo reforço dos meios da proteção civil e o apetrechamento do dispositivo de combate aos incêndios", acrescentou.

Castanheira de Pera foi um dos concelhos mais fustigados pelos incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a municípios vizinhos. Os fogos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. A maioria das vítimas morreu na Estrada Nacional 236-1, que liga Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Em termos percentuais, o concelho de Castanheira de Pera foi o que perdeu mais população (-16,7%) no distrito de Leiria entre 2011 e 2021, ano dos últimos censos.

Este concelho, o de menor dimensão e com menos população do distrito, que em 2011 tinha 3.191 residentes, tem agora 2.657 habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

SR // MAG

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