Caroline Nalubowa, empresária de 28 anos, desmaiou depois de ter estado no banco dos réus por mais de duas horas, tendo sido retirada do tribunal por um outro acusado, que lhe prestou primeiros socorros, de acordo com os 'media' locais.

Já recuperada, a empresária referiu que tem tido problemas de saúde desde a detenção, no ano passado, alegando ter sido torturada pelos agentes que a prenderam.

"Atingiram-me no pescoço e nas costas. Desde então, não tive acesso a medicação apropriada. Desde esse incidente, tenho dificuldades em estar de pé por longos períodos", referiu a empresária, depois de recuperar, segundo o diário ugandês Daily Monitor.

Caroline Nalubowa compareceu no tribunal com outros 31 arguidos, entre os quais o músico e político Robert Kyagulanyi Ssentamu, também conhecido como Bobi Wine.

O julgamento foi adiado para 14 de março.

As ações das forças de segurança contra Bobi Wine aumentaram com a disputa política entre o Governo do Presidente, Yoweri Museveni, e uma geração jovem que teme que o chefe de Estado pretenda governar para o resto de sua vida, apesar dos já 32 anos no poder do Uganda.

A agitação começou no início de agosto, quando Bobi Wine e vários outros parlamentares foram acusados de traição por causa de um incidente com a comitiva do Presidente.

Bobi Wine emergiu como uma poderosa voz da oposição entre os jovens frustrados com Museveni, especialmente depois de a Constituição ter sido mudada no ano passado para remover o limite de idade para os mandatos na Presidência.

O cantor ganhou um assento no parlamento no ano passado, sem o apoio de qualquer partido político.

Além de Bobi Wine, vários opositores da liderança de Museveni, como o deputado Francis Zaake, alegaram sofrer ferimentos graves, infligidos pelas forças de segurança, durante as suas detenções, acusações rejeitadas pelo Governo do Uganda.

Bobi Wine foi detido após um incidente em Arua, norte do Uganda, quando manifestantes lançaram pedras contra o carro do Presidente, Yoweri Museveni, que para lá se deslocou para apoiar o candidato do seu partido na campanha eleitoral.

Em 31 de agosto, Bobi Wine saiu do país para ser medicamente assistido, após, segundo o seu advogado, ter sido torturado durante a detenção.

Ainda nesse mês, as Nações Unidas manifestaram preocupação com a prisão de deputados no Uganda.

JYO (CSR/SYSC) // SR

Lusa/Fim

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