"O novo coronavírus é uma guerra contra todos nós, todas as vidas importam, por isso temos de evitar um distanciamento orçamental nesta altura; o isolamento social é imperativo, mas o distanciamento orçamental não é", defendeu o presidente do BAD, numa declaração enviada à Lusa.

No documento, o líder desta instituição multilateral financeira, que na semana passada fez uma emissão de dívida no valor de 3 mil milhões de dólares (2,75 mil milhões de euros) para ajudar no combate à pandemia da covid-19, diz que África tem condições diferentes dos mercados ocidentais.

"À volta do mundo, os países nos estádios mais avançados do surto estão a anunciar medidas de alívio orçamental, de injeção de liquidez, adiamentos nos pagamentos, relaxamento das regulações e outras iniciativas", disse o banqueiro, exemplificando com a ajuda de 2 biliões de dólares (1,83 biliões de euros) nos Estados Unidos, de 1 bilião de euros na Europa e acrescentando que são esperadas outras iniciativas ainda maiores.

"Os países desenvolvidos implementaram programas para compensar os trabalhadores que perderam salários devido ao distanciamento social, mas há outro problema que emergiu, que é o distanciamento orçamental", vincou Adesina, apoiando o pedido do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, relativamente a uma suspensão da dívida para os países de baixo rendimento, mas indo mais longe.

"Eu defendo ações ainda mais ousadas, e há várias razões para isso, desde logo porque as economias dos países em desenvolvimento, apesar de grande progresso nos últimos anos, continuam extremamente frágeis e deficientemente equipadas para lidar com esta pandemia", disse o banqueiro.

Em segundo lugar, acrescentou, "muitos dos países africanos dependem das matérias-primas para as receitas de exportação e não vão, pura e simplesmente, ser capazes de cumprir os orçamentos planeados segundo as previsões" pré-pandemia, não só para o preço das matérias-primas, mas também para as receitas do turismo.

Por último, "enquanto os países ricos têm recursos a que podem aceder, como evidenciado pelos biliões de dólares em estímulos orçamentais, os países em desenvolvimento estão manietados pela falta de recursos".

A concluir, Adesina disse que África não pode ficar de fora do esforço de contenção da pandemia da covid-19: "Se coletivamente não conseguirmos derrotar o vírus em África, não vamos ser capazes de o derrotar em mais nenhum lado no mundo; este é um desafio existencial que requer que toda a gente se chegue à frente".

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou as 500 nas últimas horas num universo de mais de 10.500 casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 82 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 260 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

MBA // VM

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