O meu cão chamava-se Savimbi e era um Grand Danois. Os Grand Danois têm a vantagem de comer feno e sai mais barato, e quando havia greve do metro muitas vezes ia para casa montado no Savimbi. A única desvantagem do Savimbi é que, quando eu estava sentado, ele gostava de se deitar em cima dos meus pés e acabei a usar o mesmo número de sapatos que o Charlot. Era super obediente. Um dia disse-lhe ,“faz de morto”, e ele fez tão bem que deixou de respirar.

Também já tive pássaros mas chegava à noite a casa meio bêbedo, depois de fumar umas ganzas, com uma fome de urso que esteve hibernado seis meses, e nunca tinha nada de jeito para comer, e acabava sempre por ir para uma mini com passarinhos fritos.

É complicado escolher um animal de estimação. Eu tenho uma tia que tem em casa um cordeiro de deus que tira o pecado do mundo, e já tive uma namorada que tinha uma jiboia no quarto; duas quando eu ia lá dormir. O meu sonho era ter uma gazela que soubesse tirar imperiais ou um ouriço caixeiro que fizesse mímica com pentes.

Também gosto muito de crocodilos. Aliás, de todos os animais que existem no Zoo de Lisboa, são os meus preferidos. Têm a postura que eu teria se me pusessem num zoo – “Não vou fazer absolutamente nada, vai ser difícil distinguir-me da vegetação, não me vou mexer e quase não vão dar pela minha existência, e quero ver se vendem bilhetes para isto. A não ser que me atirem um pedaço significativo de um animal. Aí já muda de figura". O problema de ter um crocodilo em casa é que eles são demasiado perigosos. Um amigo meu teve um e o crocodilo comeu-lhe o avô. Ficou só a cabeça de fora, parecia que estava a dormir num saco cama da Lacoste.

Portanto, acabei por chegar a uma conclusão e optei por ter um aquário de peixes de água quente. Foi das piores decisões da minha vida. Ter um aquário de peixes de água quente dá muito trabalho e ao fim de algum tempo, graças aos limos, já pouco se via lá para dentro e os miúdos foram perdendo o interesse.

Se eu soubesse o que sei hoje nunca tinha optado por peixes de água quente. A diferença entre o aquário de peixes de água fria e o de peixes de água quente, é mais ou menos o equivalente entre tomar conta de um primo alentejano ou de uma diva do cinema. O primo alentejano é mais feio e sem interesse mas dorme no chão se for preciso. A diva de cinema quer a água do banho a 35 graus e plantas raras no quarto.

Lembro-me que, a certa altura, para o aquário não ficar com a água turva mudei as plantas todas por plantas falsas de borracha. No princípio os peixes não gostaram e andaram muito tempo a passar de um lado para o outro escondidos atrás de peixes de plástico, só para me chatear. Mas depois acabaram por se habituar, porque apesar de estranharem o toque perceberam que estas não se estragam com o tempo. É curioso, porque aconteceu exatamente o mesmo comigo e com o silicone.

No fundo um peixe de água quente é um animal que vive num banho de imersão permanente. Vive num SPA. Confesso que muitas vezes me senti revoltado ao olhar para aqueles peixes a viverem numa espécie de penthouse de cantor de Rap à minha custa. Nunca mais!

Sugestões do autor: 

Um Disco – 22 anos depois, os Slowdive têm um novo disco intitulado 'Slowdive' e vai estar disponível a partir de dia 5 de maio. Para irem aguçando o apetite já aí está uma faixa disponível.

Um Filme – estreia dia 18 de maio o novo filme do realizador espanhol Nacho Vigalondo (parece nome de ator de filmes porno) – 'Colossal' – um monster movie que pode surpreender muita gente. A não perder.

Um concerto – para quem tem saudades dos anos 80 (eu tenho) no Coliseu de Lisboa e Porto, a 3 e 4 de maio respetivamente, tocam os saudosos Simples Minds. É um concerto em formato acústico que terá como base o lançamento de 'Acoustic', uma nova compilação dos Simple Minds que reúne vários êxitos da banda mas nesse formato, e que chega às lojas na próxima sexta-feira.

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