“Hoje estamos a concretizar um sonho, que é trazer para Portugal um centro de inovação muito particular, à volta de todos estes temas da ‘cloud’ (permite o armazenamento de dados e o acesso a eles em qualquer lugar e a qualquer hora através da Internet) e da transformação digital. Este vai ser um centro de exportação que vai trabalhar também para clientes em Portugal, mas o seu grande foco é trabalhar para a Europa”, disse o gestor do Innovation Center, Júlio Gonçalves à Lusa, na inauguração do centro.

A marcar presença esteve também o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, destacando que tal “significa que a partir de Portugal se constituiu um centro que é o segundo mais importante da CGI a nível global” e “um ótimo exemplo de investimento de uma empresa tecnológica”.

Presente em Portugal há 20 anos, a CGI já tem vários centros no país, entre Lisboa, Porto e Sintra, mas este é o seu primeiro na área de competências para o desenvolvimento de estratégias, soluções e serviços na ‘cloud’.

Focado nas áreas de conhecimento avançado e nas áreas de robótica, automação e ‘ciber’ segurança, o centro utiliza a mais recente tecnologia e vai desenvolver o “CGI Unify360”, uma solução integrada de orquestração e monitorização de serviços de tecnologias de informação na ‘cloud’ (pública, privada e híbrida).

“Cerca de 90% das receitas que o centro vai gerar são todas de exportação que é também um trajeto que a CGI tem feito em Portugal. Hoje em dia, de toda a receita que a CGI faz, cerca de 30% é feita em exportação de serviços a partir de Portugal para outras localizações na Europa, Canadá e EUA”, explicou Júlio Gonçalves.

No centro trabalham já 40 pessoas, altamente qualificadas, mas o número deverá subir até aos 80 no final do ano, afirmou o gestor, adiantando que, se o plano correr como o previsto, serão criados 150 novos postos de trabalho a dois anos. Em curso, está já o alargamento de instalações para poder acolher esse crescimento.

Sobre o investimento propriamente dito no centro, Júlio Gonçalves nada diz, até porque sublinha que “são 80 pessoas muito capazes, com anos de experiência acumulada” e a aposta é nas pessoas.

“O talento tem que se pagar, isso para nós sempre foi uma pedra de toque. Mais do que o valor do investimento trata-se de garantir que o talento fica dentro do país e que é usado de uma forma positiva para todos. Não estamos a fazer investimento em casas e coisas, mas investimento em pessoas e isso para nós é muito mais importante do que estar a investir num escritório todo bonito e numa série de utensílios que têm valor efémero”, frisou.

Quem já pensa em ir “ainda mais longe” é o presidente de operações da CGI para a Europa Oriental, Central e do Sul, Douglas McCuaig, que quer continuar a expandir a operação em Portugal, para onde antevê eventuais futuros centros da empresa.

“Escolhemos propositadamente Portugal para verdadeiramente inovar. Precisamos e queremos investir em Portugal”, disse à Lusa Douglas McCuaig.

O responsável destacou que Portugal “é essencial”, não só como mercado, pela proximidade aos clientes, a empresas de ‘utility’ e bancos, mas também pelo seu ambiente de grande inovação, talento, infraestruturas e universidades.

“Criámos este centro de inovação para investir numa região que de facto tem acesso a talento. Isto não é um investimento de curto prazo, não é por um ano, já cá estamos há 20 anos e vamos apostar e crescer aqui no futuro, acreditamos no país, nos nossos clientes, nas pessoas e no talento”, frisou, considerando “de sucesso” a presença em Portugal.

Em Portugal, a tecnológica tem vários centros, entre eles, um na área das ‘utilities’ (energia, água e gás) em Lisboa, outro em Sintra para o desenvolvimento de projetos de modernização de infraestruturas, e dois de ‘Global Delivery’ para o desenvolvimento e serviços para clientes em todo o mundo, empregando cerca de 1.200 trabalhadores.

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