De acordo com a edição de hoje do jornal Público, o aproximar de 85% da população totalmente vacinada contra a Covid-19 está a levar algumas autarquias a considerar encerrar os centros de vacinação criados exclusivamente para esse efeito.

Ao diário, o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, adiantou que a “desmobilização” do centro de vacinação no pavilhão Multiusos da cidade já está em preparação. Já em Matosinhos, o centro de vacinação criado pela Unidade Local de Saúde de Matosinhos deverá estar em funcionamento até à terceira semana de setembro, estando previsto que, depois dessa data, a vacina fique disponível nos centros de saúde.

Se em Lisboa, Almada ou Maia, as autarquias aguardam indicações das autoridades de saúde para a possível desativação dos centros de vacinação criados nos últimos meses, em Cascais já se desativou uma de duas instalações. Mobilizados em São Domingos de Rana e em Alcabideche, destes dois centros só o segundo está em funcionamento, já que o primeiro “foi suspenso”, adianta Carlos Carreiras, autarca do concelho, ao Público.

Já em Braga e Vila Nova de Gaia, o horizonte é de manter o funcionamento nos próximos meses até ordem em contrário.

Em causa está o facto de que a meta de vacinação de 85% da população apontada para outubro — e a necessária para, em teoria, o país chegar à imunidade de grupo — pode ser atingida mais cedo. A de 70% estava prevista para setembro mas foi conseguida no final da semana passada.

Com a maioria da população vacinada, deixará de ser necessário ter instalações dedicadas em exclusivo à vacinação, podendo o processo decorrer nos centros de saúde. Ao esforço logístico acresce os custos de manutenção: em Lisboa, por exemplo, o custo já ascende os três milhões de euros; em Cascais, o custo da contratação de enfermeiros é de 120 mil euros por mês e em Gaia a despesa prevista até ao final de setembro é de 800 mil euros.

No entanto, apesar dos planos em desativar alguns centros de vacinação, a opção em reforçar a vacinação com uma terceira dose vai ditar a sua manutenção.

Na sexta-feira, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Viera da Silva, remeteu para a Direção-Geral da Saúde uma decisão sobre uma terceira dose das vacinas contra a covid-19 e ressalvou que é necessário esperar pela posição da autoridade europeia.

A ministra assinalou que "nem sequer a Autoridade Europeia do Medicamento tem uma posição sobre essa matéria".

"Aguardemos essa posição da entidade europeia e depois da Direção-Geral da Saúde para sabermos também em que termos é que ela se pode realizar", afirmou a primeira-ministra em exercício na ocasião.

Em Portugal, todas as vacinas contra a covid-19 são de duas doses, com exceção da Janssen, que é de toma única, e que está recomendada para ser administrada em homens a partir dos 18 anos e em mulheres com idade igual ou superior a 50 anos.

Israel começou já começou a administrar a terceira dose da vacina contra a covid-19 em determinadas faixas etárias, e os Estados Unidos e a França já anunciaram que pretendem avançar com esse reforço em setembro.