A operação, denominada “Porto Firme”, mobilizou cerca de 200 agentes e resultou de uma parceria entre as Polícias Civil e Militar e o Ministério Público do Rio de Janeiro.

A ação visou o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva de membros da organização criminosa, por suspeitas da prática crimes de tráfico de droga e de armas de fogo, extorsões, homicídios, agiotagem e corrupção ativa.

Até ao momento cinco pessoas foram presas, entre elas um polícia militar, o cabo Fernando Mendes Alves, apontado como o “número dois” da organização criminosa.

Contudo, o principal alvo da operação é o capitão da Polícia Militar Leonardo Gomes da Silva, indiciado pelo Ministério Público como chefe dessa narcomilícia, e que ainda não foi localizado.

A operação visou ainda cumprir 51 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo que atua na região de Vargem Grande e Vargem Pequena, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Segundo as autoridades, o grupo é conhecido “por agir com extrema violência e emprego de arma de fogo” junto das vítimas.

“Para nós, é realmente muito ruim saber que essas organizações criminosas possuem polícias envolvidos nos seus quadros”, afirmou o delegado Antônio Ricardo Nunes, chefe da delegacia de homicídios.

“A principal diferença dessa organização criminosa é que, além de cometerem os crimes tradicionais de milícia, como extorsões, ameaças e homicídios, eles também praticam o crime de tráfico de entorpecentes”, acrescentou o delegado.

De acordo com o Ministério Público, as investigações sobre a atuação da milícia, alegadamente liderada pelo Capitão Leonado Gomes da Silva, teve início com a apuração da morte de Marcus Vinícius Calixto, ocorrida em 2018, no bairro de Vargem Grande.

“Foi constatado que a vítima teria sido morta por contrariar interesses dos criminosos, conhecidos como milicianos, naquela região da zona oeste da cidade”, apontou o órgão.

As autoridades locais estimam que as milícias controlem cerca de um quarto do território do estado do Rio de Janeiro.

Com início na década de 1990, as milícias eram compostas, principalmente, por ex-polícias, bombeiros e militares que queriam combater a ilegalidade nos seus bairros.

Durante anos, chegaram a ser elogiadas por políticos, incluindo o agora Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um ex-capitão do exército que, como deputado, pediu a legalização das milícias em 2008.

No entanto, os seus métodos brutais e áreas de controlo expandiram-se até aos dias de hoje e, segundo especialistas em segurança, estes grupos criminosos estão envolvidos em extorsão, negócios ilícitos e até homicídios.

Atualmente, alguns especialistas em crime argumentam que as milícias são a maior ameaça à segurança do Rio de Janeiro e que os seus métodos estão a ser copiados noutras cidades brasileiras.