A posição foi transmitida numa declaração emitida pela Televisão Pública de Angola (TPA), na sequência do comunicado emitido sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores e classificando como "inamistosa e despropositada" a forma como as autoridades portuguesas divulgaram a acusação do Ministério Público de Portugal ao vice-Presidente de Angola.

"Nestas coisas devia haver bom senso, recato e ter cuidado para não serem afetadas as relações entre Portugal e países amigos, como é de Angola", afirmou o antigo governante português.

O Ministério Público português acusou formalmente, há cerca de uma semana, entre outros, o vice-Presidente de Angola (e ex-presidente da Sonangol) Manuel Vicente, no âmbito da "Operação Fizz", relacionada com corrupção e branqueamento de capitais, quando ainda estava na petrolífera estatal.

"E se bem que em Portugal, como sabemos, o poder judicial é independente do poder político, a minha opinião é que os agentes judiciários, independentemente de levarem a cabo as ações que acham que devem levar a cabo, deviam ter em consideração que mandar para a praça pública, ou mandar soltar para a imprensa, este tipo de notícias, pode afetar as relações entre Portugal e um país amigo, como é o caso de Angola, um país importante para a economia portuguesa e um país no qual vivem cerca de 200.000 portugueses", recordou.

Já no domingo foi a vez de o Jornal de Angola retomar as críticas a Portugal, afirmando que "custa ver tanta falta de vergonha, sobretudo vinda da parte daqueles que se dizem nossos amigos", a propósito da divulgação pela comunicação social deste processo por parte da Justiça portuguesa.

"A maneira leviana como as autoridades portuguesas 'permitiram' a fuga de informação que levou para a imprensa lusa esta 'notícia', é a confirmação daquilo que aqui já havia sido dito sobre a existência de uma campanha internacional especialmente orquestrada para denegrir a imagem de Angola e dos seus principais dirigentes neste ano de eleições", lê-se no editorial do jornal estatal.

António Martins da Cruz, chefe da diplomacia portuguesa entre 2002 e 2003, defende, nas declarações emitidas pela televisão estatal angolana, que a necessidade de gerir este caso com "cuidado".

"Eu acho que deveria haver cuidado porque, de facto, o caso ainda nem sequer foi julgado, foi objeto de uma primeira consideração por parte do Ministério Público, portanto devia estar em segredo de Justiça, devia estar no recato dos tribunais, e não nas bocas da opinião pública e nas primeiras páginas dos jornais", concluiu o antigo ministro de Portugal, receando o efeito de uma condenação prévia do vice-Presidente angolano na praça pública.

No comunicado divulgado na sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores, refere-se que as autoridades angolanas tomaram conhecimento "com bastante preocupação, através dos órgãos de comunicação social portugueses", da acusação do Ministério Público português "por supostos factos criminais imputados ao senhor engenheiro Manuel Vicente".

Para o Governo angolano, a forma como foi veiculada a notícia constitui um "sério ataque à República de Angola, suscetível de perturbar as relações existentes entre os dois Estados".

"Não deixa de ser evidente que, sempre que estas relações estabilizam e alcançam novos patamares, se criem pseudo-factos prejudiciais aos verdadeiros interesses dos dois países, atingindo a soberania de Angola ou altas entidades do país por calúnia ou difamação", sublinha a nota.

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