“Eu tenho a certeza que o capital estrangeiro vai embora do Brasil. Aliás, o capital estrangeiro já está indo embora do Brasil. É isso que este governo está fazendo. Pondo os investidores todos para fora”, afirmou o ativista, licenciado em biologia e zootecnia, que se destacou na defesa da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro.

“Quem é que vai investir num país que não tem respeito pela biodiversidade?” – questionou, recordando que a Europa ainda recentemente apresentou o Green Deal.

O Green Deal, o Pacto Verde Europeu, que é o mapa com que a União Europeia tenciona acelerar a sua transição ecológica para uma economia neutra em emissões de dióxido de carbono, até 2050, foi apresentado em dezembro pela presidente da Comissão, a alemã Ursula von der Leyen.

No Brasil, com a covid-19, “tudo piorou” em termos ambientais, por isso as emissões de gases com efeito de estufa “aumentaram cerca de 54%” nos últimos meses.

“Porque o desmatamento não parou na Amazónia, a produção de minério no Brasil não parou. No Brasil parou o urbano, o comércio, o salão de beleza. Mas as fábricas, a mineração, a agricultura, o agronegócio, o desmatamento, as queimadas, em nenhum momento pararam. Só se acelerou. Sem respeito pelas políticas ambientais tão duramente construídas durante muito anos”, lamentou.

Para o biólogo, o Brasil “está vivendo uma tragédia ambiental e os investidores sabem o quanto é importante para eles a manutenção daquela floresta em pé (…). Porque sabem da importância que aquilo tem para o clima”, mas “os gestores brasileiros, tanto da esquerda como da direita, não entenderam a questão do ambiente, da agricultura orgânica”.

Realçando o potencial que o Brasil tem para fazer negócios rentáveis de outra forma, que não a de agricultura intensiva e o agronegócio, falou da produção de comida “sem veneno” e da oportunidade que esta representa para a criação de emprego e rendimento.

“Eu quero que essas políticas sejam ativas. Mas acho que a expectativa é ruim”, afirmou.

Por isso, para Pedro Graça Aranha, o Brasil “pode ter queda desse presidente”. Porque “os investidores podem ficar tão aborrecidos, tão aborrecidos, tão aborrecidos que o presidente caia”.

E, se isso acontecer, “o mercado vai ficar mais feliz. Porque ele [Bolsonaro] foi eleito pelo mercado. Só que o mercado não entendeu que ele não é um político tradicional, clássico. Ele é ele”.

Na opinião de Pedro Graça Aranha, a reunião dos investidores brasileiros com os membros do governo brasileiro, “foi um ultimato às politicas ambientais públicas” que o país está a seguir.

Agora, “se não houver efetividade nessas políticas, aí vem o chumbo grosso.”

Por agora, “os investidores vão querer monitorar. E temos organizações não governamentais, que são financiadas por esse investimento também, e que vão fazer o controle muito bem feito. Não tenho dúvida que as ONG vão monitorar bem se isso está avançando ou não”.

Por isso, se essas políticas anunciadas não se verificarem “vai haver uma nova pressão da sociedade civil que vai chegar aos investidores”, concluiu.

Num encontro com investidores estrangeiros, realizado no início de julho, o Governo brasileiro comprometeu-se a reduzir a desflorestação da Amazónia.

“Em nenhum momento os investidores se comprometeram com verbas e prazos. É óbvio que querem ver resultados. E com o que é que nos podemos comprometer? Com a redução da desflorestação. A ideia é que ao longo do mandato, com operações repressivas, consigamos gradualmente reduzir as ilegalidades, para chegarmos a um número de desflorestação aceitável”, disse, na altura, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, em conferência de imprensa, após o encontro virtual, em que participou, ao lado de vários ministros.

O Brasil encerrou o mês de junho com o maior número de focos de queimadas na Amazónia dos últimos 13 anos.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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