Marcelo Rebelo de Sousa vai participar em Pequim no fórum "Faixa e Rota", iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas da Ásia à Europa, no qual intervirá, no sábado, e depois fará uma visita de Estado à República Popular da China, entre segunda e quarta-feira.

A sua chegada a Pequim, em voo comercial, está prevista está para as 10:35 locais (03:35 em Lisboa) de hoje.

O primeiro ponto do seu programa é a deslocação a uma secção da Grande Muralha da China no norte da capital chinesa, onde deverá falar à imprensa sobre esta sua visita a um país que qualifica como um "parceiro importante" que Portugal conhece bem, "há 500 anos", mas que distingue dos "aliados".

"Nós já não nos surpreendemos com os chineses, nem eles se surpreendem connosco. Nós sabemos bem a diferença que há entre aliados e parceiros", afirmou o chefe de Estado à agência Lusa, na véspera de viajar para a China.

Marcelo Rebelo de Sousa, que deu aulas de direito em Macau mas nunca visitou a China Continental, referiu que "aliados são os europeus, os Estados Unidos da América" e os países "irmãos de língua portuguesa".

No atual contexto de "guerra comercial" entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do planeta, Marcelo Rebelo de Sousa tem-se manifestado reiteradamente contra o "protecionismo".

Quanto às relações económicas luso-chinesas, defende que "é bom para Portugal equilibrar o investimento estrangeiro" e que deve haver "uma cooperação com dois sentidos, não somente com um sentido", contestando a ideia de que há uma "invasão chinesa".

Hoje à noite, o Presidente português estará num jantar de gala oferecido pelo Presidente da China aos líderes estrangeiros participantes no fórum "Faixa e Rota", no Grande Palácio do Povo.

Segundo a lista anunciada pela China, participam na segunda edição deste fórum os chefes de Estado ou de Governo de outros 36 países, além de Portugal, dos quais seis são membros da União Europeia, Itália, Grécia, Áustria, Chipre, Hungria e República Checa.

Entre os participantes estão também o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Durante esta visita, Marcelo Rebelo de Sousa terá encontros com as principais empresas chinesas investidoras em Portugal, com exportadores portugueses para o mercado chinês e com altas autoridades de Xangai e da Região Administrativa Especial de Macau - os outros dois pontos do seu itinerário.

Na segunda-feira, será recebido por Xi Jinping com honras militares no Palácio do Povo e terá também uma reunião com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

Na China, Marcelo Rebelo de Sousa estará acompanhado por uma delegação parlamentar composta pelos deputados Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, pelo líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e por Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes".

Bloco de Esquerda e PAN não quiseram estar nesta visita, opção que justificaram com a situação dos direitos humanos e das liberdades na China.

Pela parte do Governo, integram a comitiva os ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

Portugal e a República Popular da China estabeleceram relações diplomáticas há 40 anos, em fevereiro de 1979.

Todos os presidentes portugueses eleitos por sufrágio universal após o 25 de Abril de 1974 realizaram visitas de Estado à República Popular da China: Eanes em 1985, Soares em 1995, Sampaio em 1997 e em 2005 e Cavaco Silva em 2014.

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