Ruy Ribeiro, que participou numa videoconferência promovida pelo Instituto de Medicina Molecular (IMM) sobre a covid-19, sublinhou que é necessário "proteger as pessoas que estão mais vulneráveis" à doença infecciosa respiratória, ou seja, os idosos e ou com doenças crónicas, que, no entanto, continuam a precisar de ir ao supermercado ou ao banco.

O cientista do IMM João Lobo Antunes, da Universidade de Lisboa, assinalou por sua vez, sem especificar datas, que a reabertura das escolas, equacionada pelo Governo para maio, no ensino secundário, pode ser uma das estratégias para "tentar voltar à vida normal", mas ressalvou que é preciso ver se, em termos de saúde pública, "é possível ou não" adotar tal medida.

Uma das medidas que concretizam o estado de emergência no país, em vigor até 17 de abril, é o confinamento em casa dos idosos com mais de 70 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, que só podem sair para tratar do estritamente necessário, como ir ao centro de saúde, supermercado, banco ou farmácia.

Devido à pandemia da covid-19, as aulas presenciais foram suspensas em 16 de março nas escolas, para todos os graus de ensino, e nas universidades, significando, na prática, que os estabelecimentos estão encerrados.

O Governo comprometeu-se a reavaliar a suspensão das atividades letivas presenciais na quinta-feira.

Na semana passada, o primeiro-ministro, António Costa, admitiu a hipótese de as aulas presenciais poderem ser retomadas em 04 de maio para os estudantes do ensino secundário, uma vez que precisam de realizar exames nacionais para concorrer ao ensino superior.

Na terça-feira, o Conselho Nacional de Educação considerou o regresso às escolas em maio pouco viável, face à imprevisibilidade da evolução epidemiológica.​​​​

No mesmo dia, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu, face aos "passos positivos" no controlo da propagação da doença, "um suplemento de esforço" dos portugueses durante todo o mês de abril para poderem "ganhar a liberdade em maio", em termos de "regresso progressivo à normalidade", nomeadamente à escola e ao trabalho.

O investigador Ruy Ribeiro, que estuda a disseminação das infeções virais através de modelos matemáticos e computacionais, alertou hoje para "uma questão muito crítica" que deve ser ponderada nas decisões políticas: "É mais fácil o isolamento total" e "mais difícil o isolamento seletivo" para mitigar os efeitos de uma pandemia.

O bioestatístico sustentou que as estratégias para retomar progressivamente a normalidade, como o regresso à escola ou ao trabalho, podem, "em teoria", conduzir a novas ondas de contágio.

Segundo Ruy Ribeiro, para existir imunidade natural contra uma infeção, que, para o coronavírus da covid-19 não se sabe se será duradoura, tem de haver "muitas pessoas infetadas". De acordo com as estimativas, o número de infetados pode ser, no mínimo, dez vezes superior aos casos de infeção confirmados num teste de diagnóstico, salientou.

Para o cientista do IMM, a estratégia de imunidade de grupo tem "um reverso", o de potenciar "muitas infeções graves num curto período de tempo", sobrecarregando os serviços de saúde.

Neste contexto, Ruy Ribeiro considera que o modelo adotado em Portugal, o de confinamento social generalizado, tem sido "relativamente bem-sucedido".

Portugal regista 380 mortes, mais 35 do que na véspera (+10,1%), e 13.141 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 699 em relação a terça-feira (+5,6%), de acordo com o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Dos infetados, 1.211 estão internados, 245 dos quais em unidades de cuidados intensivos, havendo 196 doentes que recuperaram desde que a doença foi diagnosticada no país, em 02 de março.

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