De Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa – que ficaram conhecidas como as “Três Marias” -, a obra foi banida pela ditadura salazarista e as suas autoras levadas a julgamento (acabariam absolvidas já depois do 25 de Abril de 1974).

“Na área da Cultura, (…) temos procurado trazer o texto e o que ele significa para diferentes projetos”, referiu Graça Fonseca, em declarações à Lusa, antes da sessão inaugural do Fórum pela Igualdade, iniciativa integrada na Temporada Portugal-França 2022 e na presidência francesa do Conselho da União Europeia.

Porém, reconheceu a ministra, há outro lado “fundamental, que é a questão da educação, (…) da presença que este livro devia ter na dimensão mais das escolas”.

Confessando que “várias vezes” se interrogou sobre essa ausência, Graça Fonseca explica-a por um “conjunto de fatores”, desde logo pela sua natureza.

“Se fosse apenas uma grande obra literária, provavelmente seria estudada nas escolas; se fosse apenas um grande texto político, provavelmente seria estudado nas escolas”, observa, assumindo o paradoxo que resulta do seu duplo significado.

A obra “devia ser mais conhecida”, assinala, realçando que tal não tem que passar apenas pela inclusão mais formal nos currículos escolares, mas pode, por exemplo, ser transversal aos planos nacional de leitura e das artes.

“Não deixa de ser extraordinariamente emblemático que estejamos aqui, no Dia Internacional da Mulher, perante um conflito e uma guerra na Europa, a celebrar as ‘Novas Cartas Portuguesas’”, destacou.

“Fizemos um caminho incrível” desde que a obra foi publicada, há 50 anos, recordou, frisando que o livro não foi só um manifesto pelos direitos das mulheres, mas também “um desafio à guerra”.

Reconhecendo que nem sempre se tem a perspetiva do “imenso” que Portugal evoluiu – “quanto a minha vida é diferente do que foi a vida da minha avó é algo absolutamente evidente para mim” –, Graça Fonseca nota que o desenvolvimento fez crescer as expectativas.

“As conquistas nunca devem ser desvalorizadas, mas também nunca devem ser tomadas como um dado adquirido, de que não há muito mais a conquistar”, vincou.

Esta lembrança de que a igualdade “nunca está conquistada, (…) como a democracia” é uma “mensagem importante” na situação atual, disse.

A Temporada Portugal-França 2022 quis prestar homenagem às “Novas Cartas Portuguesas” como “um livro-marco na história do feminismo e da literatura portuguesa” e o motor do “movimento de solidariedade entre feministas portuguesas e francesas”.

Com sete mesas redondas, o Fórum pela Igualdade decorre até quinta-feira, em Angers, e terá continuidade em Lisboa, no outono.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.