O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, explicou, em conferência de imprensa, que “muitos países” anunciaram que vão entregar a Kiev munição de artilharia, sistemas de defesa costeira, tanques e veículos blindados de todo o tipo.

“Outros países fizeram novos compromissos para treinar forças ucranianas e apoiar os seus sistemas militares”, acrescentou Austin.

O responsável do Pentágono agradeceu, em especial, à Dinamarca por fornecer à Ucrânia um lançador de mísseis para defender a sua costa e à Republica Checa pelo “apoio substancial”, incluindo helicópteros, carros blindados e ‘rockets’.

“Hoje [segunda-feira], vários países anunciaram doações de sistemas de artilharia e munições extremamente necessários, incluindo a Itália, Grécia, Noruega e Polónia”, sublinhou Austin.

Um total de 47 países participaram na segunda reunião do grupo de contacto, que decorreu em formato virtual, no seguimento do primeiro encontro promovido pelo secretário da Defesa dos EUA no final de abril, na base norte-americana em Ramstein, Alemanha.

A próxima reunião deverá acontecer em Bruxelas, em 15 de junho, à margem do encontro dos ministros da Defesa da NATO.

Oficiais ucranianos, como o ministro da Defesa, Oleksii Réznikov, o vice-comandante das Forças Armadas, Yevhen Moisiuk, e um representante da inteligência militar juntaram-se neste segundo encontro.

Durante a reunião, os participantes discutiram a situação no terreno e as necessidades de ajuda da Ucrânia, bem como a forma de manter as capacidades de autodefesa do país.

Lloyd Austin adiantou que não houveram grandes diferenças face à última reunião.

“[As necessidades] São mais ou menos as mesmas (…). Os ucranianos precisam artilharia de longo alcance, blindados, como tanques e veículos de transporte de pessoas e capacidades em ‘drones'”, sublinhou o secretário da Defesa.

Perante o pedido de mais armamento por parte da Ucrânia, Lloyd Austin mostrou-se “satisfeito” após a reunião, salientando que os esforços dos aliados para ajudar Kiev se estão a intensificar.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Mark Milley, que também participou na conferência de imprensa, referiu que o seu país retomou contactos com a Rússia, no campo militar, para evitar uma escalada entre os dois países.

O general explicou que tanto ele como o chefe do Pentágono estão focados em controlar riscos e em evitar uma possível escalada com a Rússia, nomeadamente através da retoma de “comunicações a nível militar”, incluindo telefonemas com altos responsáveis militares russos.

O chefe do Estado-Maior dos EUA indicou que este é um passo “significativo” e que “vale a pena”, sublinhando que o seu país continua “comprometido” no seu apoio à Ucrânia.

Mark Milley apresentou alguns números sobre esse apoio e lembrou que no outono passado, antes do início da invasão da Ucrânia, os norte-americanos já tinham destacados 78.000 soldados sob o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA (EUCOM).

Esse número aumentou 30% nos últimos meses para 102.000 soldados dos EUA implantados em vários países europeus.

No que diz respeito à Força Aérea, os EUA têm atualmente 12 esquadrões de caças-bombardeiros e duas brigadas de aviação de combate na Europa, enquanto sua infantaria tem seis brigadas de combate, duas divisões e dois corpos.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que completa na terça-feira três meses, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas — cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

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