Num debate realizado um dia após a Câmara dos Comuns ter rejeitado pela segunda vez o Acordo de Saída negociado entre Londres e a UE a 27, Farage afirmou-se convicto de que o parlamento britânico “vai trair o voto” do referendo de junho de 2016 que ditou o ‘Brexit’ ao apoiar uma extensão das negociações e disse esperar que o Conselho Europeu rejeite tal prolongamento, para o bem de todos.

“Vêm aí eleições europeias. Vocês não me querem de volta aqui, nem querem ‘hordas’ de eurocéticos a voltar aqui. Por isso, há uma solução simples: que o pedido britânico para prolongar (o artigo 50) seja vetado na cimeira, e nós saímos em 29 de março”, disse, acrescentando que, de todo o modo, “a maior parte dos preparativos está feita”.

Criticando o que classificou como “a intransigência burocrática” do negociador-chefe da UE, Michel Barnier, e o “constante fluxo de insultos” do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o eurodeputado, líder parlamentar da bancada eurocética da Europa da Liberdade e da Democracia Direta, Farage disse esperar agora mais “uma exibição humilhante” da primeira-ministra britânica, Theresa May, no Conselho Europeu da próxima semana, ao suplicar pelo prolongamento das negociações.

“Eu digo basta. Nós queremos simplesmente sair, e isso aplica-se a muitos que votaram pela permanência, porque respeitam a democracia”, afirmou, insistindo que a saída desordenada na data prevista, 29 de março, “é a única solução simples” para respeitar o desfecho do referendo de junho de 2016.

O parlamento britânico voltou a chumbar, na terça-feira à noite, o Acordo de Saída do Reino Unido da UE por larga margem, com 391 votos contra e 242 votos a favor.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, não conseguiu fazer passar o Acordo de Saída, apesar dos três documentos adicionados na segunda-feira, que segundo o Governo britânico proporcionavam as garantias adicionais reclamadas pela Câmara dos Comuns relativamente à natureza temporária da solução de último recurso para a fronteira irlandesa inscrita naquele texto.

O Acordo de Saída negociado com Bruxelas foi submetido ao parlamento britânico pela segunda vez, depois de ter sido chumbado em 15 de janeiro por uma margem de 230 votos, incluindo 118 de deputados do partido do Governo, o partido Conservador.

Hoje, o parlamento britânico vai debater e votar a rejeição de uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, e caso a opção de sair sem acordo seja rejeitada pelos deputados britânicos, como é previsto tendo em conta que um voto não vinculativo nesse sentido já passou anteriormente no parlamento britânico, na quinta-feira deverão ser votadas também diferentes propostas de duração da extensão das conversações com Bruxelas, devendo então Londres solicitar o prolongamento do artigo 50 do Tratado de Lisboa.

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